24 novembro, 2010
Retrato quase diário
O despertador do celular toca às 7h20
Aciono o modo “soneca” e ele volta a tocar às 7h30
O primeiro pensamento: “hoje não”
Que vem seguido do “estarei jogando dinheiro no lixo”
Me pergunto de quem foi a ideia
Lembro que foi minha
Cogito mudar de turma
Lembro que os colegas são legais
E o professor é o melhor que já tive
Levanto
Piloto-automático total
Não por acaso, a mala foi arrumada na noite anterior
Mais ou menos 7h45 saimos de casa, Marido e eu
Caminhamos até o clube
Que fica do outro lado da rua
De novo: não por acaso
8h alongamento para aquecer
8h05 entro na piscina
A água sempre está menos quente do que eu gostaria
Enfim acordo ao nadar os primeiros 50 metros
8h45 a aula acaba
O coração está disparado
Cinco minutos de alongamento
Mais ou menos às 9h30 volto para casa
Respiração ainda ofegante (oi, eu tenho asma)
Pernas um pouco bambas
Braços meio pesados
Tomo café da manhã
E o dia começa com uma certeza:
Escolher a turma das 8h da manhã foi a melhor decisão de sempre.
23 novembro, 2010
Época das castanhas
Conta a lenda que num dia muito chuvoso São Martinho passou por um mendigo nu e, não tendo nada para lhe oferecer, cortou um pedaço da sua própria capa. No momento em que o santo entregou o pano ao homem, a chuva parou imediatamente. Daí que em Portugal é normal se dizer que em novembro acontece o Verão de S. Martinho, uma subida de temperatura – que transita na casa dos 20, 23 graus em pleno outono.
O magusto marca o início do frio e, para mim, não tem símbolo maior de que o verão acabou mesmo do que ver castanheiros nas ruas (tipo carrinho de pipoca em Sampa, sabem?). Eles só aparecem quando esfria. Uma fumaça se espalha, como se fosse neblina, e um cheiro bem específico toma conta do ar. Cheiro de castanhas quentinhas, para comer enquanto se espera pelo autocarro, no metro ou assim que se chega em casa.
22 novembro, 2010
Para começar a semana doce!
Agora, a minha experiência. Comi o bolo pela primeira vez no ano passado, durante no Festival de Chocolate de Óbidos - uma cidade medieval a uns 100 km de Lisboa. Só bem depois descobri que o bolo tinha uma loja e tudo, em Lisboa. Corri para lá.
Primeiro quase não encontrei, porque é mesmo pequena. Uma portinha e mais nada. Segundo fiquei inconformada, afinal, para o melhor bolo de chocolate do mundo fazia sentido um lugar com mais espaço, então me redimi: em meia hora que fiquei lá dentro, saboreando a minha fatia, perdi a conta de quantas pessoas entraram e saíram com um bolo inteiro. E não é pronta-entrega não, as encomendas tem que ser feitas com pelo menos uma semana de antecedência.
Quem provar - onde quer que seja - depois me diga se não está entre os melhores do mundo.
http://www.omelhorbolodechocolatedomundo.com/
19 novembro, 2010
Lisboa sitiada
Acontece entre hoje e amanhã em Lisboa a Cimeira da Nato ou, em brasileiro, a Cúpula da Otan, onde presidentes e representantes de quase 30 países vão discutir os próximos passos das ações da Otan. Em tese, o evento ocorrerá na região do Parque das Nações. Na prática, a cidade inteira está em estado de sítio. Desde ontem o trânsito de algumas ruas foi condicionado, o tráfego aéreo diminuiu e empresas que puderam, deram tolerância – aka dia de folga – aos seus funcionários.
Os veículos de comunicação deram bem o recado. Foi tanto alarde a semana inteira sobre as froteiras com a Espanha fechadas, a maior fiscalização nos aeroportos, os suspeitos que não conseguiram entrar no país e o aumento do efetivo policial para manter a ordem que resultou em uma coisa: Lisboa está vazia.
É claro que há algumas manifestações contra a cimeira agendadas, principalmente para a tarde de sábado, mas só aquelas que – pasmem – foram autorizadas pela Câmara Municipal previamente. Detalhe: todas a quilômetros de distância do Parque das Nações.
Fico com a impressão de que é tudo um circo, uma grande encenação. Portugal deixa a crise financeira que está atravessando completamente de lado e faz com que as suas pessoas não saiam de casa. Assim fica bem na fita e aparece nas notícias como um grande anfitrião.
Sabe aquele ditado que diz “fulano come sardinha e arrota caviar”? Então...
02 novembro, 2010
As maravilhas de Portugal
Dos monumentos, os que eu acho mais bonitos são os mosteiros de Jerônimos e da Batalha. Alcobaça eu acho um charme, a cidade toda, assim como Óbidos. Belém é visita obrigatória com todas as visitas que passam aqui em casa, então nem conta... :) Só falta desbravar Guimarães e as maravilhas naturais, que por enquanto eu só conheço o Portinho da Arrábida e as Grutas de Mira d'Aire.
Para ler e viajar um pouco por Portugal, cliquem aqui.
29 outubro, 2010
Referencial
Por exemplo: em março, em Lisboa, quando faz o primeiro dia com 18 graus do ano, significa que está esquentando, que só mais três meses e o verão nos fará companhia outra vez.
Agora, os mesmos 18 graus, acompanhados daquele típico vento fresco lisboeta em outubro só quer dizer uma coisa: é hora de desempacotar botas, casacos, cachecóis e se preparar, pois o frio está chegando e não vai embora tão cedo.
Mas é assim, estar em Portugal nessa época é uma vantagem e tanto, em termos europeus. Explico: amigos que vivem em Londres, desde setembro já convivem com temperaturas de apenas um dígito. Em Estocolmo, uma outra amiga festejou a primeira neve do ano na semana passada. Enquanto em Lisboa... bem... em Lisboa, temos esse céu lindo, quase todos os dias :)
28 outubro, 2010
Quando a internet não ajuda
É que na época da faculdade, nos idos entre 1998 e 2002, eu estudava, fazia estágio, fazia inglês duas vezes por semana, pegava pelo menos três horas de trânsito em transportes públicos todos os dias e ainda ia para balada com os amigos, ajudava nas tarefas de casa no fim de semana, lia muito mais e fazia um monte de outras coisas.
Comecei a por a culpa na idade, que realmente faz a gente diminuir um pouco o ritmo, mas depois, pensando melhor, me dei conta de que naquela época ainda não havia a avalanche de redes sociais que existe hoje em dia e que, definitivamente, eu gastava muito menos tempo na frente de um computador do que hoje em dia.
08 outubro, 2010
Voltei a nadar
Antes de continuar só quero esclarecer que eu não sou nenhuma super nadadora não. Pelo contrário. Já me afoguei numa praia quando tinha 15 anos, com direito a salva-vidas e tudo. Desde então morro de medo de água.
Mas então, a experiência lusitana!
Quando nos mudamos para Lisboa, em 2008, Marido e eu ficamos sócios de um clube que tem perto da nossa casa com a intenção de conhecer pessoas e fazer exercícios. Eu já tinha nadado uns dois anos em Bernô City, já tinha até trocado a cor na minha touca (método utilizado pela academia para indicar o nível dos alunos). Lá a experiência era assim: uma piscina mediana, acho que de 30 metros, e um aluno por raia. Quando tínhamos que dividir a raia com alguém, era motivo de reclamação.
Em Portugal foi assim: eu disse que sabia nadar crawl, costas e estava aprendendo o peito quando deixei o Brasil, então o professor me indicou para a AMA (de amador mesmo) 3. Na primeira aula, passei por uma piscinona (50 metros) e fui encaminhada para uma piscininha de 25 metros que os professores carinhosamente chamam de “tanque”. Dei de cara com apenas três raias e um mooooooonte de gente dentro. Era assim: cada raia uma classe: AMA 1, 2 e 3. Na minha turma tinha nada menos que dez pessoas. D-E-Z! O professor dava as instruções e nós seguíamos, em fila indiana. Piada pronta, ne?
Conversei com todo mundo que eu conhecia aqui na época – que não era muita gente, diga-se... – e todos me disseram que em Portugal é assim que se faz natação. Aceitei e fiz o ano praticamente inteiro, de outubro/2008 a junho/2009, com algumas faltas no meio do caminho, mas firme e forte.
Julho, agosto e metade de setembro, como eu já contei aqui, o clube “encerra” para férias de verão.
Em 2009/2010 comecei a estudar e passei longe do clube. Daí quando as aulas do mestrado acabaram em junho, comecei a esperar pelo dia de hoje: a minha primeira aula de natação na piscinona, na turma APZ (de aprendizagem).
Minhas primeiras impressões: acho que perdi um pulmão no meio do caminho, não consegui ir e voltar a piscina inteira sem parar no meio nenhuma vez, eu me agarro ridiculamente na borda da piscina com medo de afundar, era oito horas da manhã e estava chovendo, mas sabe aquela sensação boa quando a gente termina algo que realmente gosta? Simplesmente não tem preço!
25 setembro, 2010
Olha eu no jornal
Quer ler? Clica aqui :)
24 setembro, 2010
O golpe do anúncio de emprego
Na entrevista o cara - um americano - disse que era uma empresa de promoção de marketing e que, caso contratada, antes de integrar a equipe de planejamento e estratégia teria que passar pela equipe de B2B e B2C. Até aí tudo bem. Pelos clientes que ele citou, pareceu interessante.
No mesmo dia recebi uma ligação informando que tinha sido selecionada para a fase seguinte, a de conhecer a forma de trabalho da empresa. Me aconselharam a ir casual, "com tênis mesmo", porque iria passar o dia a andar.
Bem... comecei a pensar que o tal do business to business e business to consumer que ele tinha dito estava mais para quiosques de demonstração de produtos em supermercados. Mas como é tão difícil ser chamada para uma entrevista de emprego aqui em Lisboa, deixei o meu lado Pollyanna falar mais alto e pensei que não custava nada conferir. Afinal, eu poderia estar errada.
E estava!
Depois de uma hora de espera, fui apresentada ao Bruno, um rapaz português com quem eu iria passar o dia e só voltaria para o escritório ao fim da tarde. A função dele: chefe de equipa de vendedores porta-a-porta de pacotes de internet por fibra óptica.
:/