09 julho, 2013

Férias no Marrocos


Em Casablanca, na mesquita Hassan II

Viajar para o Marrocos nunca esteve nos meus planos. Apesar de super perto da Espanha e bem acessível, era capaz de fazer uma lista com pelo menos 30 lugares que tinha vontade de conhecer antes. Mas, ne, a vida é uma fanfarrona e dá umas voltas tão grandes que – estando abertos e dispostos – nos reserva felizes descobertas. Foi o que aconteceu: o convite para o casamento de uma amiga em Rabat, a capital de lá, acabou se transformando numa viagem de 12 dias por metade do país para comemorar o aniversário de 35 anos do Marido.

Ao contrário de mim, Marido já tinha todo o roteiro desenhado na cabeça quando recebemos o convite. Ele estudou o guia, elaborou o roteiro, fez as reservas dos voos de chegada e partida, descobriu que os bilhetes de trem não podiam ser comprados pela internet e reservou hotéis baseado num critério que criei com bastante objetividade: quartos que lembrassem os cenários de Aladdin e As mil e uma noites =)

Impossível não lembrar das histórias de livros e filmes
Essa foi uma viagem com muitas primeiras vezes. Primeira vez no continente africano; primeira vez em muito tempo que viajamos por tantos dias completamente sozinhos; primeira vez fora do Brasil, Portugal e Espanha que saimos com um roteiro planejado, mas sem nada fixo, fomos decidindo os próximos passos conforme tínhamos contato com a cultura local e descobríamos o que valia mais à pena ser visitado; primeira vez que nos conectamos à internet durante todos os dias da trip (o que rendeu publicações diárias no instagram); e primeira vez que deixei o tradicional caderninho em casa e fiz minhas anotações da viagem numa plataforma digital, no caso o meu celular.

O nosso roteiro foi esse do mapa. Chegamos por Marrakech (A), fomos de carro (num passeio contratado de três dias e duas noites) para as Montanhas do Alto Altas (B), passamos uma noite em Erg Chebbi, no meio do Deserto do Saara (C) e voltamos para Marrakech. Daqui pra frente, fizemos todos os demais trajetos de trem: passamos uma noite em Casablanca (D), seguimos para Fes (E), fomos para o casamento em Rabat (F) e paramos uma noite em Meknes (G) antes de subir para a nossa última parada em Tanger (H). Ali pegamos o voo de volta para Madri.


Visualizar Marrocos em um mapa maior

11 noites e 12 dias SUPER aproveitados. Claro que faria algumas mudanças caso voltasse no tempo com as informações que tenho agora, mas... foi uma viagem I-N-C-R-Í-V-E-L. As paisagens são lindas, o povo é muito acolhedor, a cultura é completamente diferente da nossa e o país transmite uma baita sensação de segurança para o turista.

Marido e eu andamos de transportes públicos a maior parte do tempo, mas usar táxi também é bastante barato – desde, é claro, que se pergunte quanto custará a corrida antes de entrar no veículo. Essa dica de perguntar o preço antes, aliás, vale para absolutamente tudo no Marrocos. 

Uma das madrassas de Fes
Os únicos cuidados prévios que tivemos foram dois. Primeiro: nos hospedar em lugares com conexão à internet gratuita e, segundo: fazer reservas que podiam ser alteradas ou canceladas sem taxas. Isso nos permitiu diminuir os dias em Marrakech, trocar a data de chegada a Casablanca e aumentar a estadia em Fes, que foi justamente a cidade que achamos mais bonita.

Ah! Um outro cuidado que tomamos foi fazer todas as viagens de trem em primeira classe. Essa sugestão estava no guia e foi reforçada pela dona do nosso hotel em Marrakech por duas razões: os lugares são marcados e tem ar-condicionado. Em todos os percursos que fizemos, chegamos à estação um pouco antes do horário do trem sair e compramos os bilhetes na hora. A única vez que tivemos que esperar pelo próximo trem foi no trajeto de Rabat a Meknes.

Leitura no trem (foto do cel)

Bem... esse post, que era para ser apenas uma introdução aos posts que estão por vir, já está enorme. Então, para terminar, os serviços que usamos foram:

Voos Madri-Marrakech, Tanger-Madri: Ryanair (http://www.ryanair.com)
Passagens de trem: ONCF, que é a companhia nacional de trem (http://www.oncf.ma) 
Reservas dos hotéis: Booking (http://www.booking.com)
Guia de viagem: Lonely Planet (foto de abertura do post)

17 junho, 2013

O gigante acordou!

Largo da Batata - São Paulo - 17/jun/2013 Foto: jornal O Globo


Estou acompanhando online todas as manifestações no Brasil que começaram contra o aumento da tarifa do transporte público, mas que na realidade foram motivadas por todas as desigualdades e corrupção deslavada. Até então o povo aguentava calado. Agora não. Agora estão todos – de todas as classes, idades e credos – juntos por um país melhor. O que começou em São Paulo já se espalhou para mais 120 cidades brasileiras e até a última notícia que li, 58 cidades no exterior.

Só digo uma coisa: QUE ORGULHO! Aliás, duas: Que vontade de estar lá!

De verdade, a cada relato que leio ou vídeo que assisto, das pessoas que ficaram feriadas na sexta-feira aos manifestantes vestidos de branco fazendo um manifestação APARTIDÁRIA e PACÍFICA, fico toda arrepiada e emocionada. É o povo escrevendo a história do Brasil no aqui e no agora. E a tecnologia me permitindo participar mesmo estando longe.

Já disse mais de uma vez que uma das coisas que mais gosto na Europa é o direito de se manifestar e os cidadãos fazerem uso desse direito. Já fui a manifestações em Lisboa (tem relatos aqui e aqui) em que os policiais iam lado a lado com a população, porque também eram prejudicados com as decisões impostas pelo governo. Em Madrid houve situações com clima menos amigável, mas uma coisa que presenciei nas duas cidades foi a SOLIDARIEDADE dos demais com a causa, independente de estar no meio da rua ou no conforto do sofá. De ter chegado ao trabalho na hora ou ter tido que esperar a manifestação passar para poder voltar pra casa. O que prevalece é respeito ao direito de se manifestar e o raciocínio: "ainda há quem se dê ao trabalho de protestar".

Ao longo da semana, conforme os protestos em São Paulo foram ficando mais frequentes e com mais participantes, assisti pelo facebook e twitter muitas pessoas – amigos inclusive – mudarem o discurso. De uma posição completamente egoísta para uma postura mais solidária, que pelo menos tenta respeitar o fato de que aquelas pessoas nas ruas que estão tomando tiros de bala de borracha da polícia estão reivindicando melhores condições não só para a população da classe baixa, mas para toda a cidade.

Estou muito orgulhosa. Às vésperas de sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016, o brasileiro precisava abrir os olhos e mostrar para o mundo que não somos só o país do carnaval e do futebol. A inflação está uma coisa absurda, os preços de tudo está hiperfaturado, sem falar nos problemas de sempre: falta de investimento na educação, na segurança, na saúde pública e num sistema de transporte digno.

Espero que os protestos sigam pacificamente, porque o vandalismo deslegitima o propósito da causa.

É isso aí. Força, Brasil! #ogiganteacordou #sp17j #changebrazil #mudabrasil #protestosp #vemprarua #passelivre #mobilizados #acordabrasil #segundabranca #whitemonday

10 junho, 2013

Trabalho com gosto

Sabe aquele trabalho que te deixa super feliz por ter feito? Então! É o que estou sentindo por ter colaborado com a última edição da revista Brazil 4 Senses, uma revista que mostra para os gringos o Brasil através dos quatro sentidos, indo além dos esteriótipos super batidos.

A edição tem, entre muitos “passeios”, um ping-pong com a escritora Martha Medeiros, um tour literário por São Paulo, uma viagem gastronômica pelo Pará conduzida pela Dany Colares, do Feriado Pessoal, uma passagem pelas Cataratas do Iguaçu, tem as minhas impressões sobre Monte Verde, em Minas Gerais, e, o que me encheu de orgulho de ter feito: uma reportagem sobre um brasileiro que foi para a Libéria, na África, construir uma escola de bambu para que 300 crianças pudessem estudar em condições dignas.  

A revista tem versão digital e está linda que é uma coisa. Dá uma olhada:



PS. Caso a revista não abra direitinho no link acima, também pode ser vista por aqui: http://issuu.com/brazil4senses/docs/b4s_publicacao_2




25 maio, 2013

Brasil em Portugal

2013 está sendo o ano do Brasil em Portugal. E eu aqui na Espanha. Certas coisas a gente não controla, não é? Participei do modo que estava ao meu alcance: acompanhei de longe a programação, as repercussões e recomendei aos amigos tugas (e não só :) que fossem aos shows conhecer um pouco mais da cultura brasileira.

O que eu mais gostei foi que a organização do evento caprichou muito na escolha das atrações e levou para Portugal artistas – tanto consagrados como novos talentos – que fogem do padrão mais popularesco que os portugueses estão habituados. E gringos em geral, se a gente parar para pensar.

Em três ocasiões em especial eu cheguei a pesquisar preço de passagem e tentei de todos os jeitos dar uma pausa na vida madrileña para ir prestigiar, nem que fosse com um bate-volta. Mas por algum motivo acabou não rolando em nenhuma delas. Escolhas que temos que fazer.

O primeiro de todos foi o show d’O Teatro Mágico, que é uma das minhas bandas preferidas de sempre. Adoro as letras das músicas e, mais que isso, fico muito feliz de acompanhar a evolução que o grupo está fazendo. De pensar que o primeiro show que vi deles foi numa Virada Cultural, em 2007.


Depois perdi Alceu Valença, que foi trilha sonora de tantas baladinhas com os amigos da faculdade. Por aquelas coincidências da vida, a Ludmy e o Átila, do Vou Contigo, estavam em Portugal justo naqueles dias e pegaram o mesmo trem que o Alceu, de Lisboa ao Porto. Ganharam CD autografado e tudo =)


Agora o concerto que deu mais dor no coração de ter perdido foi o do Quaternaglia, que aconteceu agorinha há pouco, em Lisboa. Não conhecem? É um quarteto de cordas que faz interpretações belíssimas de compositores brasileiros. Eles ainda passarão por Évora, Coimbra, Mafra e Porto nos próximos dias (tem o roteiro detalhado da turnê no site oficial). Se você passar por uma dessas cidades, não perca! 




E sim, o meu gosto musical é um tanto eclético =)

20 maio, 2013

Marisa Monte em Madri

Nos dias de hoje, que a internet está em constante atualização, escrever sobre algo que aconteceu no dia 2 quando já estamos no dia 20 é a coisa mais ultrapassada do mundo, mas ne... como não dou  para o blog a mesma dinâmica que dou para o facebook, twitter e instragram, vou escrever mesmo assim.

Aqui em Madri, o dia 2 de maio também é feriado em homenagem aos mortos nos conflitos de 1808, quando a Espanha se enfrentou com as tropas francesas de Napoleão, o que depois ficou conhecido como a Guerra de Independência Espanhola. Falando em português claro: o mês começou com um muito bem-vindo feriado prolongado :D


E nesse feriadão a cidade recebeu a linda-musa-talentosíssima-maravilhosa Marisa Monte, com a turnê Verdade Uma Ilusão. Madri foi a última parada dela na Europa e até a chegada do grande dia, fui acompanhando os relatos dos amigos que foram aos shows em Lisboa e Barcelona. As expectativas estavam lá em cima e foram mais que superadas. Cenografia linda, seleção de músicas com todas as preferidas e ela simplesmente perfeita, com uma delicadeza e intensidade inconfundíveis.

Para esta semana começar com o astral lá em cima, ofereço a música que tem tocado sem parar por aqui e que foi justamente a de abertura do show.

“(...)
Atenção para escutar
Esse movimento que traz paz
Cada folha que cair,
Cada nuvem que passar
Ouve a terra respirar
Pelas portas e janelas das casas
Atenção para escutar
O que você quer saber de verdade”

03 maio, 2013

5 anos na Europa

Pedacinhos do mundo

Hoje completa 5 anos que Marido e eu viemos viver na Europa. Eu lembro perfeitamente daquele sábado, dia 3 de maio de 2008, quando chegamos a Lisboa e a cidade estava deserta por causa do feriado prolongado.

Lembro de cada detalhe do quarto do hotel, do nosso primeiro jantar – bacalhau, claro! –, do friozinho primaveril, o vento com sol à beira do Tejo, do cansaço pela viagem e pelo fuso, mas a curiosidade falando muito mais alto e nos mandando explorar aquelas ruas que, hoje, nos são tão familiares.

Cinco anos se passaram e eu sempre me impressiono com o quanto a vida muda num espaço tão curto. Se há 6 anos alguém me dissesse que nos próximos anos eu iria casar, mudar para Portugal e depois Espanha, viajaria por mais de 15 países, conheceria pessoas de todos os continentes, faria um mestrado que me enveredaria pelos caminhos do turismo e da sustentabilidade e expandiria meus horizontes de uma maneira tão visceral que simplesmente ficaria impossível voltar a ser aquela Kelli de 2007, eu riria e pensaria: “ela só acertou a parte do casamento...”.

Não tem como falar nos últimos anos sem que o peito fique cheio de gratidão por todas as experiências incríveis que temos tido o privilégio de viver. Privilégio daqueles bem grandes. Confesso que por muitas vezes questionei se merecia viver tudo isso. Até que duas pessoas que respeito muito, em momentos distintos, me disseram mais ou menos a mesma coisa: “Se a vida está te dando uma oportunidade, seja ela qual  for, aceite, agradeça e retribua”.
 
Lisboa querida
A partir daí, tudo ficou mais leve porque nós sabemos que estamos em Madri hoje. O amanhã é uma grande incógnita que pode reservar a nossa volta para o Brasil ou a ida para qualquer outro lugar no planeta. É por isso que aproveitamos o que a Europa nos oferece como se não houvesse amanhã. Suas estruturas, acessibilidade, o constante conviver com o diferente. E é por isso que a cada oportunidade de conhecer um lugar novo, as malas já estão prontas. Chega a ser engraçado, pois quando uma pessoa nos convida para visitar a sua casa, eu invarialmente pergunto se ela está certa daquilo, porque nós vamos. De verdade.

Volte e meia Marido e eu ouvimos que temos sorte. Dizem por aí que sorte é quando o preparo encontra a oportunidade. Pensando assim, nós realmente temos muita sorte. A sorte de amar,  tolerar e respeitar um ao outro; a sorte de ter uma família que entende que temos rodinhas nos pés e apoia as nossas escolhas; a sorte de ter amigos incríveis; a sorte de estarmos abertos para o que quer que seja. Sabem... eu acredito demais na “lei” que diz que quando a intenção é verdadeira, o universo conspira para que as coisas fluam. Funciona. Juro.

É claro que nem tudo são flores. Viver na Europa não se resume às fotos que publicamos no facebook ou instagram. Antes fosse :) Lidamos constantemente com a frustração de estar longe em todas as datas especiais, acompanhamos o crescimento do nosso afilhado e sobrinhos à distância, cogitamos voltar para o Brasil mês sim, mês não por causa da saudade da família e dos amigos.

Não importa quantos imigrantes existam no país, aqui somos sempre estrangeiros, leva tempo até ganhar a confiança dos locais (mas uma vez conquistada, temos amigos para a vida), temos que aprender como a cidade funciona do zero e sem a referências dos nossos pais, que não estão aqui para nos dizer onde se faz o documento de identidade, onde fica o posto de saúde, como se faz para abrir uma conta no banco, ou ter uma linha de celular, que nas farmácias não vendem absorvente higiênico, que o bilhete de ônibus se compra na tabacaria, que na padaria só se vende pão e que para tomar café tem que ir ao bar/cafeteria ao lado.  
Madri encantadora

Todas aquelas referências de infância e adolescência, esquece. Não entendemos as piadas, não temos embasamento para discutir a política, não reconhecemos os famosos, nem sequer conhecemos a programação da tevê ou sabemos quais são os programas que todo-mundo-vê tipo a novela das oito. É preciso paciência para lidar com o preconceito, com a saudade que bate do nada, ou com o inverno bem mais rigoroso que o brasileiro.

Mesmo assim, a contrapartida de viver fora do Brasil esses 5 anos tem valido muito à pena. Para onde quer que os ventos nos leve nos próximos anos, essa bagagem que estamos adquirindo vai nos acompanhar em todos os campos: pessoal, profissional, intelectual, cultural, emocional. Hoje somos mais flexíveis, super cúmplices e parceiros, revimos um montão de valores e conceitos, aprendemos que precisamos de pouco para viver bem e sermos felizes e que uma vez picados pelo bichinho viajadeiro, não tem mais volta: malas, tickets, avião, trem e caminhadas em busca de coisas novas sempre farão parte da nossa rotina.

23 abril, 2013

O Dia do Livro em Madri


Hoje é o Dia Internacional do Livro e, segundo contam, a data foi escolhida em referência à morte do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Para aqueles que adoram ler, não tem semana melhor para se andar por Madri do que esta. Todas as livrarias, bibliotecas e cafés culturais promovem leituras, interpretações, tarde de autógrafos, descontos e um montão de atividades relacionadas com livros em todos os cantos da cidade.

Se juntarmos a isso (i) a chegada da primavera, (ii) os primeiros dias ensolarados e (iii) as tardes cada vez mais longas por causa do horário de verão temos um convite perfeito para uma caminhada despretensiosa e super agradável pelas ruas de Madri.

Na Catalunha, dia 23 de abril é feriado, não por causa do Dia do Livro, mas sim devido ao dia de São Jorge (Sant Jordi em catalão), o patrono de lá. Os catalães aproveitam a data para comemorar a sua versão de Dia dos Namorados no qual, por tradição, os casais trocam flores e livros. Deve ser para juntar todos os significados da data, ne? (esse último comentário é divagação minha :-) 

Tantos que nem sei por qual começar 

Sem querer, comemorei o Dia do Livro antecipado na ida ao Brasil agora no início de abril. Eu já saí de Madri com alguns encomendados e ao encontrar amigos, ganhei uns tantos outros de presente. Tem coisa mais gostosa que carinho gratuito? Eu amo. Resultado: uma mala só de livros na volta para casa. Não é à toa que Marido costuma dizer que vamos precisar de um contêiner quando decidirmos voltar para o Brasil. Mas como isso não é assunto para agora, desejo um feliz Dia do Livro para você que lê o blog ;-) 

19 abril, 2013

Diálogos reais

Estava com Marido numa cadeia de lanchonete espanhola que também tem um departamento de livros em suas lojas. Eis que na gôndola de livros de viagens ele diz:

- Havana é um lugar que temos que ir logo, ne?

Eu, que tinha entendido “Savana”: Mas eu tenho tanta dó dos animais dopatos...

Marido: Não, não é Savana. Temos que ir para HAVANA.

Eu: Sério? Eu vi uma promoção hoje!!! Sete noites com o voo, hotel e regime all-inclusive por 400 euros!

Marido: Errr... Vamos para Savana?

Conclusão: Eu  preciso transformar essa paixão por viajar em fonte de recursos para mais viagens. Como faz?

13 março, 2013

Dica ecológica: conheça o seu bairro

A dica desta semana é bem simples: sabe aquela caneta vermelha, a fita adesiva para fechar um embrulho de presente, um CD virgem, uma meia-calça para a festa de mais tarde, um botão novo para a camisa, a lâmpada que queimou, o leite que acabou no meio da receita, ou um prego para pendurar aquele quadro que está encostado há séculos?

Ao invés de correr para um shopping ou para uma grande franquia, que vende de tudo e mais um pouco, porque não sair caminhando pelo seu bairro e contribuir para o comércio local?

Vocês podem me perguntar “mas porque, Kelli, se num centro comercial eu encontro tudo o que busco, há opções de marcas, vejo outras coisas que posso vir a querer, e ainda posso aproveitar para comer num restaurante, tomar a sobremesa em outro e fechar o passeio com um café delicioso numa cafeteria x?”

Bem, daí eu respondo: porque assim você não vai precisar dirigir até o shopping, nem pagar estacionamento – ou pegar um transporte público. Esse é o primeiro ponto. Benefícios diretos: você faz exercício, não se estressa com o trânsito e economiza. O segundo: descobre que naquele armazém com a vitrine empoeirada pode haver (geralmente há) coisas interessantes e que atenderão sua necessidade perfeitamente.


Em Lisboa, justamente para diminuir os deslocamentos e promover o comércio de rua, a Câmara Municipal passou a editar guias dos principais bairros da cidade, com telefone, endereço e horário dos estabelecimentos, além de entrevistas com os comerciantes – o dono da padaria, o garçom do restaurante, o senhor da banca de jornal, da adega, da quitanda, enfim, todos aqueles anônimos do cotidiano.

Há também espaço para personagens como a senhorinha que há 50 anos compra flores no mesmo lugar e todas aquelas pessoas que fazem parte do dia-a-dia dos vizinhos. Elas podem não saber como se chamam, nem onde moram, mas sempre se encontram na hora de comprar pão, levar o cachorro para passear, pegar o ônibus, na fila do banco ou do correio.

O guia é distribuído gratuitamente nos próprios comércios e, se não me engano, a edição é anual. Com a mudança de casa, o único que sobrou foi esse da foto, mas uma coisa bacana é que ao longo dos quatro anos que vivi ali, acompanhei a evolução editorial. Os primeiros que li tinham uma edição mais simples, quase amadora, e agora já ganharam um layout mais moderninho, para chamar a atenção também dos turistas.

Imagino que no seu bairro não tenha esse tipo de revista. Tudo bem. No meu aqui em Madri também não há e tenho conseguido me virar bem. Fica a sugestão: na próxima vez que precisar de algo, antes de correr para uma grande loja, dê uma volta pelas ruas à volta da sua própria casa. Espero que reserve boas descobertas ;-) 

04 março, 2013

Dica ecológica: informe-se

Tem uma frase em inglês – Ignorance is bliss – que quer dizer, numa tradução livre,  que ignorância é felicidade. O sentido disso, para mim, é que quando fazemos algo sem saber que aquilo é prejudicial de alguma maneira, a culpa é “menor” do que se soubéssemos desde o início que se tratava de algo ruim. Menor entre aspas, porque não muda a gravidade do ato, só a intensidade do peso da consciência.

Por muitas vezes, quando me deparo com notícias do tipo “embalagens de plástico contém substância cancerígena”, “carne de cavalo é encontrada em hambúrgueres que deveriam ser de carne de vaca”, “xampu da marca ‘x’ contém corrosivos”, “criadores de salmão dão valium para acalmar os peixes nos tanques”, “marcas ‘y’ e ‘z’ utilizam tintas tóxicas em suas roupas” e tantas outras na mesma linha, eu simplesmente queria ser ignorante, não saber das coisas, porque dá uma tristeza enorme e tira um pouco a esperança de que estamos seguindo num caminho mais saudável e sustentável.

Mas o fato é que a informação é uma grande aliada, fundamental e indispensável na construção de um estilo de vida diferente, mais sustentável. Ainda que por muitas vezes nos dê a sensação de “quanto mais eu me informo, menos eu sei”.

É preciso estar atento à qualidade e à veracidade das fontes que se consulta, afinal, o que não falta na internet são mentiras e notícias equivocas. Para contribuir com uma fonte de informação confiável, recomendo o blog Wise Up, escrito pela Salomé, uma amiga portuguesa que fez o mestrado de Ecologia Humana comigo e é uma entusiasta sobre consumo consciente, minimalismo e mudanças de comportamento para se viver mais e melhor com menos recursos naturais.

Acessem e tenham suas próprias impressões ;-)

 No blog, ela fala sobre estudos, notícias atuais, projetos que estão acontecendo ao redor do globo, além de dar dicas diárias de como diminuir a nossa pegada ecológica no planeta. O Wise Up, moderno que só, tem página no Facebook e tudo.