19 abril, 2013

Diálogos reais

Estava com Marido numa cadeia de lanchonete espanhola que também tem um departamento de livros em suas lojas. Eis que na gôndola de livros de viagens ele diz:

- Havana é um lugar que temos que ir logo, ne?

Eu, que tinha entendido “Savana”: Mas eu tenho tanta dó dos animais dopatos...

Marido: Não, não é Savana. Temos que ir para HAVANA.

Eu: Sério? Eu vi uma promoção hoje!!! Sete noites com o voo, hotel e regime all-inclusive por 400 euros!

Marido: Errr... Vamos para Savana?

Conclusão: Eu  preciso transformar essa paixão por viajar em fonte de recursos para mais viagens. Como faz?

13 março, 2013

Dica ecológica: conheça o seu bairro

A dica desta semana é bem simples: sabe aquela caneta vermelha, a fita adesiva para fechar um embrulho de presente, um CD virgem, uma meia-calça para a festa de mais tarde, um botão novo para a camisa, a lâmpada que queimou, o leite que acabou no meio da receita, ou um prego para pendurar aquele quadro que está encostado há séculos?

Ao invés de correr para um shopping ou para uma grande franquia, que vende de tudo e mais um pouco, porque não sair caminhando pelo seu bairro e contribuir para o comércio local?

Vocês podem me perguntar “mas porque, Kelli, se num centro comercial eu encontro tudo o que busco, há opções de marcas, vejo outras coisas que posso vir a querer, e ainda posso aproveitar para comer num restaurante, tomar a sobremesa em outro e fechar o passeio com um café delicioso numa cafeteria x?”

Bem, daí eu respondo: porque assim você não vai precisar dirigir até o shopping, nem pagar estacionamento – ou pegar um transporte público. Esse é o primeiro ponto. Benefícios diretos: você faz exercício, não se estressa com o trânsito e economiza. O segundo: descobre que naquele armazém com a vitrine empoeirada pode haver (geralmente há) coisas interessantes e que atenderão sua necessidade perfeitamente.


Em Lisboa, justamente para diminuir os deslocamentos e promover o comércio de rua, a Câmara Municipal passou a editar guias dos principais bairros da cidade, com telefone, endereço e horário dos estabelecimentos, além de entrevistas com os comerciantes – o dono da padaria, o garçom do restaurante, o senhor da banca de jornal, da adega, da quitanda, enfim, todos aqueles anônimos do cotidiano.

Há também espaço para personagens como a senhorinha que há 50 anos compra flores no mesmo lugar e todas aquelas pessoas que fazem parte do dia-a-dia dos vizinhos. Elas podem não saber como se chamam, nem onde moram, mas sempre se encontram na hora de comprar pão, levar o cachorro para passear, pegar o ônibus, na fila do banco ou do correio.

O guia é distribuído gratuitamente nos próprios comércios e, se não me engano, a edição é anual. Com a mudança de casa, o único que sobrou foi esse da foto, mas uma coisa bacana é que ao longo dos quatro anos que vivi ali, acompanhei a evolução editorial. Os primeiros que li tinham uma edição mais simples, quase amadora, e agora já ganharam um layout mais moderninho, para chamar a atenção também dos turistas.

Imagino que no seu bairro não tenha esse tipo de revista. Tudo bem. No meu aqui em Madri também não há e tenho conseguido me virar bem. Fica a sugestão: na próxima vez que precisar de algo, antes de correr para uma grande loja, dê uma volta pelas ruas à volta da sua própria casa. Espero que reserve boas descobertas ;-) 

04 março, 2013

Dica ecológica: informe-se

Tem uma frase em inglês – Ignorance is bliss – que quer dizer, numa tradução livre,  que ignorância é felicidade. O sentido disso, para mim, é que quando fazemos algo sem saber que aquilo é prejudicial de alguma maneira, a culpa é “menor” do que se soubéssemos desde o início que se tratava de algo ruim. Menor entre aspas, porque não muda a gravidade do ato, só a intensidade do peso da consciência.

Por muitas vezes, quando me deparo com notícias do tipo “embalagens de plástico contém substância cancerígena”, “carne de cavalo é encontrada em hambúrgueres que deveriam ser de carne de vaca”, “xampu da marca ‘x’ contém corrosivos”, “criadores de salmão dão valium para acalmar os peixes nos tanques”, “marcas ‘y’ e ‘z’ utilizam tintas tóxicas em suas roupas” e tantas outras na mesma linha, eu simplesmente queria ser ignorante, não saber das coisas, porque dá uma tristeza enorme e tira um pouco a esperança de que estamos seguindo num caminho mais saudável e sustentável.

Mas o fato é que a informação é uma grande aliada, fundamental e indispensável na construção de um estilo de vida diferente, mais sustentável. Ainda que por muitas vezes nos dê a sensação de “quanto mais eu me informo, menos eu sei”.

É preciso estar atento à qualidade e à veracidade das fontes que se consulta, afinal, o que não falta na internet são mentiras e notícias equivocas. Para contribuir com uma fonte de informação confiável, recomendo o blog Wise Up, escrito pela Salomé, uma amiga portuguesa que fez o mestrado de Ecologia Humana comigo e é uma entusiasta sobre consumo consciente, minimalismo e mudanças de comportamento para se viver mais e melhor com menos recursos naturais.

Acessem e tenham suas próprias impressões ;-)

 No blog, ela fala sobre estudos, notícias atuais, projetos que estão acontecendo ao redor do globo, além de dar dicas diárias de como diminuir a nossa pegada ecológica no planeta. O Wise Up, moderno que só, tem página no Facebook e tudo. 

02 março, 2013

A história do fondant – com a receita

Uma das minhas sobremesas favoritas quando vivia em São Paulo era o petit gateau, aquele bolinho de chocolate com uma calda deliciosa de recheio. Levei alguns anos vivendo na Europa para descobrir que por aqui essa sobremesa é conhecida como fondant, e mesmo assim não é em todos os restaurantes que se encontra.

Certo dia, num jantar em Lisboa, não sei como chegamos nesse assunto, mas o fato é que uma amiga francesa disse que fondants na França são como brigadeiros no Brasil, todas as mães sabem fazer. E escreveu a receita para mim no primeiro pedaço de papel que encontramos.

Eu não gosto nada de cozinhar todos os dias. Teve um tempo não muito distante que eu dizia que não gostava de cozinhar e ponto. Isso tem mudado. Aquele negócio de segunda a sexta, arroz, feijão e bife eu ainda não curto, mas uma comida especial, tipo o almoço do fim de semana, quando recebemos amigos em casa ou quando fazemos uma refeição comunitária (cada um leva um prato) é outra coisa.

Adoro testar receitas e adoro mais ainda quando dão certo :) Estou ficando craque em cupcakes de banana (sem cobertura), pudim de leite, pão de queijo e torta de legumes (aquela de liquidificador que as mães faziam para os lanches na escola).

Na semana passada foi a festa de aniversário de uma amiga e ela me pediu para ficar responsável pelo bolo. Como eu nunca fiz um bolo de aniversário na vida e o cupcake de banana já está um pouco batido com os amigos aqui em Madrid, recuperei a receita do fondant. A foto dos bolinhos fez tanto sucesso no facebook que inspirou este post – o primeiro sobre culinária no blog! –, para publicar a receita. E antes que comentem, sim, é uma senhora bomba calórica. Mas uma vez ou outra, que mal tem, não é?


Fondant da Julie

Ingredientes:
200g de manteiga
200g de chocolate amargo
100g de açúcar
5 ovos
1 colher de sopa de farinha de tripo

Modo de preparo:
Derreter a manteiga e o chocolate
Adicionar o açúcar, os ovos – um a um – e a farinha
Misturar tudo
Colocar em forminhas (eu uso de muffins)
(pode preencher a forma até quase a borda porque crescem muito pouco)
Assar por 15 minutos a 180 graus

Rende entre 12 e 15 bolinhos. Cada um deve ter mais ou menos 280 calorias.

Bon appetit :)

25 fevereiro, 2013

Dica ecológica: participe

Aproveitando a onda de atualizações que o blog voltou a ter, vou retomar a seção de dicas ecológicas uma vez por semana, pois é um assunto que me interessa muito e sempre vale à pena compartilhar.

Bem... então a dica de hoje é participar do dia a dia das empresas, quer seja enviando sugestões ou reclamando. Segundo a Akatu, um dos princípios do Consumo Consciente (veja os 12 princípios aqui) é “contribuir para a melhoria de produtos e serviços enviando às empresas sugestões e críticas sobre seus produtos e serviços”.

Reparem que não é mesmo que falar mal por falar ou fazer das redes sociais um muro de lamentações. É partir do princípio de que se eu não digo que passou algo de errado comigo, a empresa não terá como adivinhar que o seu produto ou serviço apresenta problemas.

Um exemplo: Certo dia, em Lisboa, eu tentei comprar uma coca-cola naquelas máquinas automáticas que tem em algumas estações do metrô. Coloquei a moeda de 1 euro e o refrigerante ficou emperrado. Quem nunca? Eu poderia ter chutado a máquina, xingado os donos da coca-cola ou simplesmente ter deixado para lá, afinal era “só” 1 euro.

Na máquina havia um número de telefone, que resolvi entrar em contato no mesmo instante, informando o que havia acontecido. O atendente disse que um técnico iria ao local e que o meu dinheiro seria devolvido. Depois de uns dias, recebi em casa um cheque nominal no valor de 1 euro.


Esse é um exemplo mais simbólico, afinal 1 euro não deixa nenhum empresário pobre, mas se todos que tem as suas moedas emperradas nas máquinas automáticas começarem a fazer o mesmo, uma hora alguém na empresa vai questionar a emissão de tantos cheques de 1 euro e aí vai fiscalizar melhor o serviço de manutenção.

É um círculo.

* Atualização: No título original eu tinha usado a palavra “reclame”, mas depois de conversar com alguns amigos sobre o post, vi que o verbo mais adequado é “participar”, que aí inclui reclamações, sugestões etc.

18 fevereiro, 2013

A nossa própria companhia

Eu sou uma pessoa que gosta muito de estar rodeada de pessoas, principalmente daquelas que me fazem bem. Uma coisa que faço desde sempre é juntar os amigos de diferentes grupos e, quando vejo, eles se tornaram amigos também. Do mesmo jeito, sou craque em adotar os amigos dos amigos.

Agora uma coisa que talvez poucos saibam é que eu também adoro ficar sozinha. Mais do que gostar, eu necessito de um tempo só para mim. Pode ser para folhear um livro, para pintar as unhas eu mesma, arrumar o meu armário, escrever no diário, ver um filme despretensiosamente, não importa. O fato é: quando os convívios sociais começam a ficar muito intensos, invariavelmente eu preciso pisar no freio, respirar e me permitir um tempo só para mim, ainda que isso signifique recusar algum convite.

Nunca tive problemas em ir ao cinema, ao museu, a um espetáculo, almoçar ou mesmo conhecer um lugar novo sozinha. Proporciona um prazer diferente do prazer que seria fazer a mesma coisa acompanhada, mas para mim, ficar na minha própria companhia não é o monstro do armário que eu sei que é para muitas pessoas. Para mim, esses momentos são a minha terapia, quando me conheço melhor e consigo ter insights que não teria de outra maneira.

Quando a Paula Abreu, do My better life, publicou o vídeo abaixo, me senti um personagem de desenho animado, porque uma nuvem de coraçõezinhos simplesmente explodiu sobre a minha cabeça. É um vídeo lindo, leve e com uma mensagem mais que verdadeira: alone is okay.

13 fevereiro, 2013

Ouça o que a sua mãe diz

Eu não sei vocês, mas quando eu era adolescente, tudo o que a minha mãe ou as minhas irmãs me diziam, eu fazia ao contrário. Nunca cheguei a ser uma filha rebelde, daquelas que dá milhões de problemas aos pais. Mesmo assim... certas coisas – muitas coisas, na verdade – eu não fazia de jeito nenhum.

Ouvir Roberto Carlos, por exemplo, era o maior absurdo do mundo. Daí hoje em dia, sempre que chega o dia do especial de Natal dele na Globo, eu tenho que processar a informação de que muitos dos meus amigos são fãs assumidos do Robertão. Pior: tenho que admitir o fato de que não é que eu não goste dele, eu só não ouvia porque era o cantor preferido da minha mãe.

Outro exemplo: sempre tive problema com queda de cabelo. Sempre. Donana, solícita, volta e meia aparecia com soluções novas para resolver isso. Loções de jaborandi, levedo de cerveja em pílulas entre outras coisas. Nunca fiz muito caso, principalmente depois de ter lido que dermatologistas consideravam normal a queda de até 50 fios por dia (não que alguma vez eu tenha contado... vale ressaltar).

O tempo passou, me tornei adulta e inventei de adotar um estilo de vida mais natureba, com atitudes do tipo comer menos carne, trocar alimentos refinados por integrais e biológicos, comprar produtos amigos do ambiente etc. No meio do caminho, com um pouco menos de cabelo a cada dia, o que me aparece? Levedo de cerveja como complemento alimentar para vegetarianos.

O lado bom disso é que agora me custa menos dar o braço a torcer e reconhecer que Donana estava certa. Aliás, como todas as mães, ne? Impressionante como elas sempre têm razão =)

10 fevereiro, 2013

A vida e os seus ciclos

O feriado de carnaval chegou com a notícia de que um antigo colega de trabalho e grande amigo faleceu. Cada vez que recebo esse tipo de notícia paro para pensar no quanto a vida é frágil e o quanto é importante fazermos aquilo que é preciso, aquilo que nos faz bem HOJE, já que o amanhã não está garantido para ninguém.

No mesmo dia, li a seguinte frase: “Precisão toma tempo. Mas vale à pena”. Precisão no quê?, alguém perguntou. “No agora”, foi a resposta. Ou seja...

Seguramente, o jornalismo cultural brasileiro ficou mais pobre com a perda de Geraldo Galvão Ferraz, o Kiko. Mas entre ficar triste com a sua partida, eu prefiro ficar feliz por ter tido a oportunidade de conviver com alguém que fez parte ativa da história do Brasil. Dos poucos meses que trabalhamos juntos, ficam as lembranças da sua grande gentileza, dos longos happy hours às sextas-feiras, o livro do Fernando Pessoa e a recordação do bon vivant que ele sabia ser como ninguém. 

Update: Aqui a nota sobre ele que foi publicada no obtuário da Folha de S. Paulo.

08 fevereiro, 2013

Uma década

Nosso aniversário de casamento civil foi há menos de um mês, como contei aqui. Hoje, dia 8 de fevereiro de 2013, é uma data igualmente especial para Marido e eu. Hoje completamos nossa primeira década juntos, desde que demos nosso primeiro beijo.

Pode parecer bobo ou excessivamente romântico fazer esse tipo de comemoração, mas eu acho que relembrar o que nos uniu nos ajuda a manter o foco no que realmente importa na relação, que é o amor, a parceria, a amizade, o respeito e a alegria.

10 anos felizes

Ao fazer essa montagem – achando que seria super fácil eleger apenas uma foto para cada ano – fiz uma longa e feliz viagem no tempo. É tão bom ver como se fosse um filme a nossa própria história, não é? As nossas conquistas, como crescemos, como amadurecemos para algumas coisas e continuamos crianças para tantas outras, todas as dificuldades que passamos e superamos, os amigos a nossa volta e a família sempre unida, independente do oceano que nos separa.

E sabem o melhor de tudo? Isso é só o começo :-) Se os próximos dez anos forem metade do que foi essa primeira década eu já serei imensamente grata ao universo por tantas oportunidades especiais que Marido e eu estamos tendo o privilégio de viver. 

06 fevereiro, 2013

A volta ao mundo em um dia

Ou: Inspirações de viagens para uma vida inteira :p

As duas opções de título para esse post é por causa da Fitur, a Feira Internacional de Turismo, que aconteceu em Madrid na semana passada, durante cinco dias seguidos. O evento reuniu em oito pavilhões mais de 9 mil empresas, com representantes de cerca de 170 países. Em outras palavras: um prato cheio para viajar pelos cinco continentes, tirar dúvidas, fazer perguntas, buscar informações, conhecer melhor os atrativos dos destinos e buscar inspiração para qualquer tipo de viagem: praia, montanha, neve, selva, luxo, cruzeiro, acampamento. Tudo, tudo, tudo.

Marido, eu e um casal de amigos caminhamos pelos pavilhões por mais de quatro horas, viajando pelas paisagens da Islândia, Escócia, Irlanda, Rússia, Polônia, Espanha, Índia, países árabes, África, Canadá, Peru, Brasil, aliás, o pavilhão dedicado à América estava uma animação só, com batucada brasileira, danças mexicanas e músicas típicas de praticamente todos os países latinos.

Com certeza ficou um montão de coisas por ver... como o tempo era curto e as opções eram tantas, nos concentramos em visitar os stands de países que estão nas nossas listas de desejos antes que o cansaço batesse. Em cada um pegamos mapas, sugestões de roteiros, informações úteis como qual a melhor época para ir etc.

Voltamos para casa com uma sacola cheia de panfletos, revistas e guias e com a cabeça repleta de planos para pelo menos as próximas vinte viagens.

Informações e mapas do próximo destino garantidos