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27 abril, 2012

Fecha-se um ciclo

Esta foto está muito atrasada, é do dia 30 de março, mas que merece estar aqui por tudo o que representa.
A dissertação foi entregue e com isso encerra-se um ciclo. Ainda tem a defesa por vir até eu ser Mestra mesmo, mas enquanto esse dia não chega, saboreio o fim dessa etapa e respiro aliviada. Março foi insano, mas acabou ;-)




14 janeiro, 2012

Mestrado começando a acabar

O meu mestrado está super na reta final. A cada dia a minha dissertação ganha mais páginas e, o melhor: sentido. E isso apesar da minha total falta de disciplina como estudante-que-mais-tira-férias-do-mundo, mas gente, com toda uma Europa para explorar é perdoável, não é?

O mais engraçado é pensar que há poucos meses eu estava completamente perdida, cogitando ficar apenas com o diploma de pós-graduação do curso*. Lembram? Eu queria desistir mesmo da vida acadêmica. Praticamente toda a minha turma estava na mesma vibração até que alguns alunos mais destacados terminaram os seus trabalhos e deram uma super motivada no restante do pessoal.

O novo prazo para a entrega da dissertação está chegando. Volta e meia eu sou tomada por surtos de desesperos, intercalados por momentos no maior estilo “every little thing is gonna be alright”. E assim segue.

O meu plano era ter TUDO pronto agora em janeiro, mas ne... se eu terminasse com dois meses de antecedência que graça teria? Não ia ter a emoção do “será que vai dar tempo?”.

Dentro da minha cabeça, a dissertação está prontinha. Tem capa e tudo. Meu sonho de consumo é que existisse um cabo USB que conectasse o cérebro com a impressora. Não ia ser perfeito? Pularia as fases de sentar, concentrar e escrever, iria direto para a etapa de revisão e, de bônus, eu viajaria para o Brasil na semana que vem sem ter medo da loucura que será o mês de março.

Mas... como o mundo não é perfeito –  #classemediasofre –, podem vir as borboletas no estômago. No fim eu sei que tudo dará certo :)

Os meus livros de cabeceira do último um ano e meio

* Na universidade onde estudo, a Nova de Lisboa, os mestrados tem dois anos de duração. No primeiro ano só temos aulas, que é chamado “componente lectiva”. O segundo ano é dedicado exclusivamente ao trabalho final, que pode ser feito em três formatos**: dissertação, estágio acadêmico ou projeto para ingressar num doutorado.
No fim do primeiro ano, recebemos um certificado de pós-graduação. O aluno que assim o quiser, pode ficar só com esse diploma e não dar continuidade ao curso. Vale registrar que nesse caso a pessoa não recebe o grau de mestre.
**  No caso de estudantes brasileiros, a dissertação é o único formato que o MEC aceita para validar o curso no Brasil. 

23 maio, 2011

O meu primeiro congresso


Na tal semana maluca de abril (eu explico aqui e aqui), um dos acontecimentos que me tirou o sono foi a minha primeira participação num congresso científico como oradora. Ele aconteceu em Lisboa, na faculdade onde estudo e mobilizou mais de mil pessoas – vindas de todos os cantos da Europa – durante três dias.

A sensação que tive – como descreveu uma amiga tuga – foi de que eu era uma bela sardinha nadando entre tubarões sem saber que era a única diferente. Só quando cheguei lá descobri que eu era a única mestranda, num painel com 12 pessoas entre doutorandos, professores e pessoas fazendo pós-doc. Para aumentar o frio na barriga, foi tudo em inglês.

Marido me ajudou com a apresentação do powerpoint e eu escrevi todo o meu discurso, porque sabia que se tentasse improvisar, estilo aula descolada, o risco de gaguejar seria grande. Eu não me lembro de ter tremido tanto na minha vida, nem na defesa do TCC – trabalho de conclusão de curso – na faculdade, nem em primeira reunião com cliente ou no dia do meu casamento.

Saiu um peso enorme das minhas costas quando terminou e a confirmação de que não foi assim tão mal veio com o comentário de uma professora francesa de antropologia e etnografia que elogiou o fato de eu estar lá, dizendo que queria que os alunos dela tivessem a mesma atitude que eu. Olha, elogio gratuito no universo acadêmico vindo de professora com mais de 30 anos de carreira não é nada normal. NADA. Se ela disse, é porque she means it.

E não parou aí. Depois que o painel já tinha acabado, nós voltamos a nos cruzar no jardim da faculdade e ela disse: “tenho certeza de que nos encontraremos em outros congressos e na altura vc estará apresentando a sua tese de doutorado”. Taí algo que eu nem penso a respeito ainda: doutorado, mas desde já agradeço à professora Danièle Vazeilles por esse incentivo e voto de confiança.

17 fevereiro, 2011

Ecologia o quê?

Sempre que digo que o meu mestrado é em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos, vejo surgir um grande ponto de interrogação no rosto da pessoa que me ouve. Vamos lá tentar explicar: é um curso que os acadêmicos chamam de interdisciplinar porque reúne várias áreas diferentes entre si, colocando-as para trabalhar em conjunto.

Um exemplo: eu sou jornalista e na minha turma há pessoas formadas em Direto, Engenharia, Enfermagem, Administração, Antropologia, Sociologia, Ciências Políticas, Biologia, Serviços Sociais, Geografia, Marketing e Letras. Uma mistura que interage e se complementa.

Como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, espero que um vídeo comigo e os meus colegas tentando explicar o que é Ecologia Humana valha por duas mil :-)


PS 1: Espero que os amigos brasileiros consigam entender tudo o que é dito.
PS 2: Ignorem o caráter totalmente comercial do vídeo e, principalmente, o gato doidão do final.

15 junho, 2010

Fim de semestre

Essa é a última semana para eu terminar e entregar todos os trabalhos do mestrado. Já estou no final do primeiro ano, acreditam?!? Por sorte, ao contrário do semestre passado que eu tinha cinco disciplinas, demorei um tempão para assimilar o tal do “pensamento acadêmico” e inventei de passar 20 dias no Brasil bem quando as coisas bobam por aqui.

Aliás, um parênteses: eu tentei explicar que janeiro é COMEÇO de ano, sinônimo de férias, e não FIM de semestre. Mas os povos do hemisfério Norte não pensam assim não... Para eles, fim de ano (escolar) é agora em junho. Por mais que eu adore o verão, independente de ser em janeiro ou em agosto, esse lance do ano acadêmico começar em setembro faz uma confusão gigante na minha cabeça.

Enfim... como eu ia dizendo, por sorte, agora tenho três disciplinas, já adiantei boa parte da leitura ao longo das aulas e dois dos trabalhos são um pouco complementares. Agora falta sentar e escrever. Ou seja: semana intensa e offline pela frente.


Mas antes de voltar para o cantinho dos estudos, vou contar só mais duas coisas:

Primeira: A nota aqui – e acho que em toda a zona do Euro – vai de zero a 20, mas os professores [da minha faculdade pelo menos] costumam dar 18 como nota máxima. Já ouvi [de estudantes] que 20 só os professores tiram. Não sei se procede... Para ser aprovado na disciplina, a nota mínima tem que ser 10.

Até aqui tudo mais ou menos igual, certo? A diferença é que os alunos aprovados, porém insatisfeitos com a nota, podem pedir melhoria no semestre seguinte. Daí o professor aponta os erros no trabalho, a pessoa refaz e a nota sobe. Sensacional, não é? No semestre passado, na hora do desespero, um dos trabalhos eu entreguei com o mínimo necessário para tirar dez. Levou 12, daí pedi melhoria e agora ele passou para 16 :)

Segunda: Das coisas que eu adoro no hemisfério Norte:
20h56 da "tarde" e esse céu lindo em Lisboa, enquanto eu estudava na biblioteca da faculdade.

28 janeiro, 2010

Cadê eu?


Estou igual ao Garfield!

Mais uma semana e acaba. Pelo menos o primeiro semestre :)

17 dezembro, 2009

Enquanto isso...

Dias atrás uma professora do mestrado disse que o curso que fazemos na gradução “formata” o nosso modo de pensar para uma determinada maneira, nos faz enxergar com filtros. Nunca tinha olhado por esse ângulo e, confesso, achei totalmente pertinente.

Está sendo um grande esforço para mim pensar “academicamente”. Todos os temas de trabalho que passam pela minha cabeça dariam reportagens especiais espetaculares, mas na hora de transformá-los num ensaio ou num artigo – acadêmico sempre, nunca de opinião – o negócio emperra.

***

Ontem tive a minha primeira apresentação e a professora chamou o meu grupo (formado por mim e mais dois colegas) de indisciplinado. Tudo porque lemos um texto indicado [e escrito] por ela e ao apresentá-lo para a classe, decidimos atualizar alguns dados, recorrendo a outras fontes. “Eu não me enxergo no que vocês estão apresentando” e “vocês deveriam fazer uma leitura crítica, não uma apresentação sobre um tema” foram só alguns dos comentários que ela fez.

Houve ainda observações como “manter o rigor acadêmico” e “respeitar a identidade/ linha de raciocínio do autor”. No fim, o maior erro que cometemos, na verdade, foi escolher justo um texto dela. Lidar com egos já não é tarefa fácil, de professores catedráticos pelo visto é pior ainda.

***

Enquanto escrevia esse post, eu senti meu apartamento inteiro tremer. Na minha santa ingenuidade, achei que era Marido, abrindo a porta do quarto, ou a minha imaginação. Mesmo assim, fiz uma busca simples no google “sismo Lisboa” e só apareceram informações sobre o fatídico terramoto, seguido de tsunami e incêndio de 1755.

Uma observação: se você não conhece Lisboa, saiba: quando conhecer, na descrição de muitos monumentos você lerá: era assim, após 1755 ficou assado.

Muito bem. Continuei navegando, escrevendo, recebi um email mega fofo, que deu vontade de largar os trabalhos do mestrado e voar amanhã para o Brasil, só para passar a noite de Mushkil Gusha com amigos amados.

Aí meu amigo portuga publica no Facebook: this is the end, com link para um site que confirma que à 1h37 da manhã rolou um sismo de magnitude 5,7 a 265 Km de Lisboa. Joinha, ne? Como eu durmo agora?

06 novembro, 2009

Boas notícias

Eu tenho um monte de coisas para escrever aqui. São tantos pensamentos juntos e acumulados que dá nisso: post nenhum. Dizer que estou sem tempo seria a maior mentira, pois é mais uma questão de prioridade do que de tempo propriamente dito.

Enfim...

As aulas do meu mestrado começaram. Lembram? Eu contei aqui. O curso está as mil maravilhas. Nunca tinha pensado que me dedicar aos estudos daria tanto sentido para a minha vida, teria tanto a ver com o meu modo de pensar e os projetos que eu tenho para um futuro bem próximo.

A troca de experiências e conhecimentos é constante. O aprendizado está sendo imenso. A cada aula eu chego em casa querendo mudar o mundo, pelo menos o meu mundo. Afinal... o curso é sobre sustentabilidade e – resumindo ao mínimo – é sobre o mundo que eu vou deixar para os filhos que eu ainda vou ter que isso se trata.

Eu acredito que as coisas só chegam até nós quando estamos preparados para compreendê-las. Às vezes pode levar tempo, pode vir de um jeito que não esperávamos e também pode acontecer de estarmos à procura de algo completamente diferente daí um comentário nos faz olhar para outra direção e, como dizem por aqui, já está: um universo de possibilidades se abre a nossa frente e não é mais possível voltar atrás.

Não depois de ter acesso ao que tanto se buscava.

Como escrevi no Twitter dia desses, estou muito feliz com todas as coisas boas e as oportunidades que tem surgido na minha vida. E mais feliz ainda por estar aberta para aproveitá-las. Espero estar fazendo isso ao máximo.

Pode parecer meio Pollyanna ou mesmo maluco, mas eu tenho a certeza de que quem já passou pelo mesmo sabe exatamente do que eu estou falando. Não importa o que ocorreu de bom ou de ruim no meio do caminho, quando a gente sabe que *é isso!*, a felicidade transcende.

01 agosto, 2009