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13 fevereiro, 2013

Ouça o que a sua mãe diz

Eu não sei vocês, mas quando eu era adolescente, tudo o que a minha mãe ou as minhas irmãs me diziam, eu fazia ao contrário. Nunca cheguei a ser uma filha rebelde, daquelas que dá milhões de problemas aos pais. Mesmo assim... certas coisas – muitas coisas, na verdade – eu não fazia de jeito nenhum.

Ouvir Roberto Carlos, por exemplo, era o maior absurdo do mundo. Daí hoje em dia, sempre que chega o dia do especial de Natal dele na Globo, eu tenho que processar a informação de que muitos dos meus amigos são fãs assumidos do Robertão. Pior: tenho que admitir o fato de que não é que eu não goste dele, eu só não ouvia porque era o cantor preferido da minha mãe.

Outro exemplo: sempre tive problema com queda de cabelo. Sempre. Donana, solícita, volta e meia aparecia com soluções novas para resolver isso. Loções de jaborandi, levedo de cerveja em pílulas entre outras coisas. Nunca fiz muito caso, principalmente depois de ter lido que dermatologistas consideravam normal a queda de até 50 fios por dia (não que alguma vez eu tenha contado... vale ressaltar).

O tempo passou, me tornei adulta e inventei de adotar um estilo de vida mais natureba, com atitudes do tipo comer menos carne, trocar alimentos refinados por integrais e biológicos, comprar produtos amigos do ambiente etc. No meio do caminho, com um pouco menos de cabelo a cada dia, o que me aparece? Levedo de cerveja como complemento alimentar para vegetarianos.

O lado bom disso é que agora me custa menos dar o braço a torcer e reconhecer que Donana estava certa. Aliás, como todas as mães, ne? Impressionante como elas sempre têm razão =)

18 janeiro, 2011

É cada uma...


Avisei a dona Conceição que vou mudar de apartamento nas próximas semanas. Ela é daquelas pessoas que tem a sorte de ir para o trabalho a pé. No seu caso, cada dia da semana está numa casa ou num comércio diferente, todos aqui no bairro mesmo.

O apê para o qual vou mudar fica relativamente perto, a dois quilômetros de onde vivo hoje ou, numa outra unidade de medida, a duas estações de metrô, mas tem que andar uma, trocar de linha e andar outra. Quando dei a notícia, ela soltou a seguinte pérola:

Ah, mas por quê? Eu estou tão bem aqui...

Em seguida reconsiderou, perguntando se a casa era maior (o que não é)...

... porque se precisar trabalhar mais horas...

Agora eu me pergunto: o mundo perdeu a noção ou sou eu que estou ficando mole?

17 dezembro, 2010

Quanta gentileza!

A amiga de um amigo passará por Lisboa agora no fim de ano e me perguntou se eu sabia de algum restaurante onde passar a ceia de Natal. Este será o primeiro Natal que Marido e eu passaremos por aqui, então tentei me informar.

Liguei para alguns restaurantes típicos e nada. Ao que tudo indica, só em alguns hotéis haverá uma programação especial para a noite do dia 24 de dezembro, mas o que me motivou a vir aqui escrever foi a “simpatia” de uma das senhoras que me atendeu. A conversa foi assim:

Eu: Boa tarde, gostaria de saber se por um acaso vocês estarão abertos no dia 24.

Ela: Não. Toda a gente tem família.

E desligou.

Detalhe: esse é um dos restaurantes de fado mais típico da cidade.

Ainda bem que abstrair e não levar essas gentilezas a peito foi uma das primeiras lições que aprendi ao chegar por aqui.

15 dezembro, 2010

Revendo conceitos

Você se dá conta de que mudou alguma coisa nos seus valores quando, ao se deparar com uma linda manhã de sol – depois de dias com chuva ininterrupta –, a sua primeira reação é querer aproveitar para lavar roupa.

24 setembro, 2010

O golpe do anúncio de emprego

Dias atrás eu mandei meu currículo para uma vaga de Relações Públicas. Não dizia muita coisa: empresa pequena, em expansão procura jovens dinâmicos. Basicão.

Na entrevista o cara - um americano - disse que era uma empresa de promoção de marketing e que, caso contratada, antes de integrar a equipe de planejamento e estratégia teria que passar pela equipe de B2B e B2C. Até aí tudo bem. Pelos clientes que ele citou, pareceu interessante.

No mesmo dia recebi uma ligação informando que tinha sido selecionada para a fase seguinte, a de conhecer a forma de trabalho da empresa. Me aconselharam a ir casual, "com tênis mesmo", porque iria passar o dia a andar.

Bem... comecei a pensar que o tal do business to business e business to consumer que ele tinha dito estava mais para quiosques de demonstração de produtos em supermercados. Mas como é tão difícil ser chamada para uma entrevista de emprego aqui em Lisboa, deixei o meu lado Pollyanna falar mais alto e pensei que não custava nada conferir. Afinal, eu poderia estar errada.

E estava!

Depois de uma hora de espera, fui apresentada ao Bruno, um rapaz português com quem eu iria passar o dia e só voltaria para o escritório ao fim da tarde. A função dele: chefe de equipa de vendedores porta-a-porta de pacotes de internet por fibra óptica.

:/

05 agosto, 2009

No Algarve

O Algarve fica no sul de Portugal, é o nordeste lusitano, com praias para todos os gostos, temperaturas convidativas e lindas paisagens. É um dos destinos preferidos de veraneio dos europeus, principalmente ingleses, espanhóis e alemães. É para lá que vão também muitos “tugas” (portugas), para desfrutar as férias escolares e de verão.

Resumindo: é um agito só, com um uma vida noturna diferente de tudo o que eu já tinha visto por essas bandas até então. No inverno aquilo deve ser um marasmo entediante, mas isso não vem ao caso agora...

Estava eu num barzinho de Portimão junto com Marido e uma amiga, quando me dirigi ao garçom:

Eu quero um Sex on the Beach, por favor.

Ele olha para o relógio e responde:

Só se for depois das quatro, pois agora estou a trabalhar.

14 maio, 2009

Parece até piada

Na semana passada, Lisboa foi tomada por uma onda de calor fora de época. Tipo mínimas de 22 graus (e isso é quente, tá?). Eu, empolgada que só, achei que já era o verão se antecipando e desembestei a lavar cachecóis, blusas, casacos e o edredom.

Tirei todas as roupas de calor que estavam guardadas no armário do segundo quarto e tive um trabalhão para fazer caber no mesmo espaço todas as roupas de frio. Não rolou, então peguei uma das nossas malas – a maior delas – e transformei em gaveta.

Vocês já estão imaginando aonde essa conversa vai chegar não é mesmo? Agora adicionem o seguinte fato: no meio de tudo isso eu estava entusiasmadíssima para sábado chegar e nós irmos a Cascais, cidade litorânea que fica a uns 30 Km de Lisboa. Eu nem queria saber do sol, o negócio era usar meus patins, que enfim consegui trazer do Brasil.

Estava tudo pronto. Roupas cheirozinhas e guardadas e Kelli contando as horas para dar umas bandas sobre rodinhas. Daí o que São Pedro fez na sexta? Subtraiu uns oito graus, mandou uma baita neblina, vento e aguaceiros para o fim de semana inteirinho.

No domingo o tempo abriu um pouco. Como já estava no meio da tarde, deixamos Cascais para lá e fomos para o bairro do Oriente, que é um lugar bem bacana para passear, com muitos bares (conhecidos como Docas) às margens do rio Tejo. Nós já vimos muita gente correr e pedalar por ali, então jurávamos que daria para patinar numa boa. Ledo engano... para onde olhávamos, era só “calçadas portuguesas” (tipo calçadão de Capacabana) que víamos.

16 março, 2009

A máquina, de novo

Não é de hoje que a minha relação com máquina de lavar roupas é complicada. Mesmo assim, eu me esforço. Compro sabões específicos para roupas pretas, brancas e coloridas, uso o tal do anticalcário para proteger a máquina da tal da água dura, separo as roupas pelas cores – salvo algumas exceções – e pelo tipo de tecido, para usar o ciclo adequado da máquina.

Eu até leio as etiquetas das roupas, vejam vocês.

Mas aí quando me deparo com uma etiqueta que diz DO NOT WASH, assim mesmo, em letras maísculas, o eu que faço? Uso até apodrecer?

02 março, 2009

Faltou uma

Dona Conceição é a senhora que vem uma vez por semana aqui em casa fazer faxina ou passar roupa. No dia que faz um, não faz o outro e vice-versa. Ela é uma “mulher a dias”, como se diz aqui, mas ao contrário das diaristas do Brasil, aqui elas recebem e trabalham por hora.

Ela é uma senhorinha baixinha muito bem disposta, com os seus 50 e poucos anos. Todas as segundas ela chega, coloca sua bolsa e casaco num canto, troca as botas por sandálias, veste o seu avental e pergunta quais serão as tarefas do dia.

No dia que lhe apresentei a casa e as minhas expectativas, Dona Conceição explicou que o melhor dia para ela seria segunda-feira e que quatro horas era o tempo médio que necessitava para fazer o serviço completo num apartamento como o meu. Como eu falei, um dos serviços.

Depois que eu já tinha pensado, ponderado e concordado com as condições e ela já estava com o avental vestido e a tábua de passar montada a sua frente, ela solta a pérola:

“Ah, mas a casa não precisa limpar todas as semanas, não é mesmo?”

Hein?

Eu tremi. Ela foi falar isso justo pra mim que sou descrita pelo Marido como a-que-gosta-de-tudo-muito-arrumadinho-sempre. É mentira dele. Não é tuuuuudo. E também não é seeeeempre.

Naquele dia ela passou as roupas muitíssimo bem, principalmente as camisas do Marido, o que representa muitos e muitos pontos na minha avaliação. Na semana seguinte foi o teste da faxina. Tudo dentro do esperado também.

Daí concluí que aquele comentário foi mais para puxar conversa do que uma crença absoluta. Apesar de saber que o conceito de limpeza europeu é bem diferente do brasileiro. Isso me fez lembrar das minhas primeiras gafes domésticas, mas isso é assunto para outro post.

18 fevereiro, 2009

Festival só comigo

Em casa

Baixei a saga completa de Alias, da primeira a quinta temporada. O download demorou uma semana para finalizar e quando fui assistir ao primeiro episódio, descobri que a legenda está em grego.

¬¬

No Porto

Era sexta-feira. Estava frio, chovendo e também ventava muito. MUITO. Eu tentava coordenar o guarda-chuva, a máquina fotográfica, a sacola de compras e a bolsa quando vi um senhor atravessar a rua na minha direção gritando “Ei! Ei!”. Olhei a volta, só eu lhe dirigia o olhar, então ele perguntou:

“És brasileira?”

Hein? Como assim? Nada do que eu visto é verde ou amarelo... como ele... - pensava eu enquanto respondi que sim e ele continuou:

“Posso ser seu amigo?”

O_O

Saí andando.

No restaurante

Havia duas opções de sobremesa com nomes praticamente iguais: torta deliciosa e torta deliciosa 2. Algo bem parecido com isso mesmo. Perguntamos ao garçom a diferença entre a primeira e a segunda e ele então responde, com um sorrisinho bem cínico:

“A diferença é que a primeira não há.”

=\

No estádio

O jogo já havia começado e nunca tínhamos ido ao estádio antes. Perguntamos ao guarda onde ficava o portão x e ele disse “para lá”, sem apontar direção alguma. “Para lá?” perguntamos, apontando para a direção que estávamos seguindo e ele, bem paciente respondeu:

“E o estádio é para fora, pa?”

=/

No monumento (essa não foi comigo, mas merece)

Estávamos na Torre de Belém e tinha um brasileiro na faixa entre os 35 e 40 anos que levou o pai, um senhorzinho com seus 80 e tantos anos, para visitar Portugal. O velhinho era simpático, sorria para todos, fazia piadinhas, se esforçou para subir todas as escadas da Torre – que deve ter uns 200 degraus – e até se propôs a tirar uma fotografia do filho com o monumento ao fundo. O marmanjo, todo sutil, então disse:

“Mas não treme, ne, pai!”

o_O

13 março, 2008

Mundo insano...

Sabe quando se sai de casa com um plano em mente, mas no meio do caminho resolve-se unir o útil ao agradável, matar dois coelhos com uma cajadada só e outros ditados populares que querem dizer “já que estou aqui...”?

Pois bem. Hoje eu tinha como meta encontrar alguns amigos, visitar outros e bater um pouco de perna. Essas coisas que a gente faz quando não está trabalhando... Enquanto caminhava para uma das casas que seria visitada me dei conta que o Hemocentro estava ali pertinho e também que já tem mais de um ano que doei sangue pela última vez..

Quando peguei a carterinha de doadora para conferir o local exato, nada de telefone ou endereço físico, só o do site. Como eu sabia o nome da avenida, nem liguei para esse detalhe. Afinal, TODO MUNDO sabe onde fica o Hemocentro por ali, pensei.

Ledo engano...

A todos que perguntei, me pediram o endereço completo. Oras, se eu tivesse o endereço não precisaria de informações. Humpf.

Fui obrigada a entrar em um cybercafé para descobrir que estava a 500 metros do Hemocentro e que o atendimento tinha encerrado cinco minutos antes.
Só para deixar tudo com mais clima de *troféu joinha pra mim*, quando estava prestes a publicar a primeira versão deste post, encerrou o tempo de navegação na lan house e o computador simplesmente desligou sem qualquer aviso de “esse equipamento auto-destruirá seus arquivos em cinco segundos”.

09 janeiro, 2008

Chá de cadeira

Hoje tive que ir ao banco. Sabia que quando esse dia chegasse – o de eu me dispor a ir até a agência – a paciência seria mais que necessária. Pois bem, peguei um livro, caderno de anotações, ipod e fui. Funcionário número 1 me disse tudo o que já sabia para, em seguida, eu perguntar: “e????”.

Depois de passar pela porta giratória, fui encaminhada para um estagiário. Muito empenhado, diga-se de passagem, mas fraquinho, fraquinho. Não sabia absolutamente nada, nem mesmo repetir com todos os “efes” e “erres” o que a chefe dele tinha mandado me dizer.

E foi nessa hora que a paciência se foi. Não, não com ele. Com ela!!!! A tal da chefe foi incapaz de levantar a bunda da cadeira e se dirigir a mim para explicar tudo o que não estava acontecendo, nem mesmo quando pedi que ele pusesse fim ao leva-e-traz de recados e me trouxesse quem, de fato, pudesse resolver meu problema.

Eu não sou daquelas que discursam que o cliente tem sempre razão. E entendo que os estagiários são pagos, nesse caso, para servirem de barreira contra todos os insultos que funcionários de bancos devem ouvir todos os dias. Mas, na boa, ser educado não faz mal a ninguém. E respeitar os outros é muito bem visto, por quem é cliente, inclusive.

Nessa hora, o gerente passou ao meu lado. Quase uma hora e meia depois dele ter liberado a minha passagem pela porta giratória. (Pois é, nessa agência, quando o detector de metais continua a apitar mesmo depois de você já ter tirado carteira, chaves, sombrinhas e tudo mais da bolsa, o gerente tem que ir pessoalmente autorizar a sua entrada no banco). Uó.

Peguei ele pelo braço e, de verdade, só não pedi que encerrasse minha conta porque, ao contrário da chefe bundona, ele esclareceu o que os dois – a bunduda e o estagiário – não souberam explicar e me deu as orientações que precisava em poucos minutos.

05 dezembro, 2007

Eu e a minha boca

Um colega entra no elevador, com uma mala nas mãos. Para quebrar aquele silêncio peculiar de elevadores, pergunto se vai à academia.

“Não, vou treinar”, respondeu.

“Treinar? O que você joga?”, questiono.

Ele, prontamente, responde: “Hugby!”

No que eu, antes que pudesse pensar, solto: “Hugby? Mas você não é muito pequenininho?”

As portas se abrem.