20 dezembro, 2010

Uma opção ao avião

Dias atrás recebi a visita da Mari Navarro e da Carla Moura, as meninas bonitas da foto :)

Se esse blog fosse um diário (ou um álbum do Orkut/ Facebook), vocês saberiam que a Mari (de preto) é a nossa visitante mais frequente. Ela veio para cá logo que nos mudamos para Lisboa, em 2008, e nós passamos o Natal daquele mesmo ano na casa dela, em Barcelona. Em 2009, ela voltou na primavera com a tia Cris. Daí no verão que acabou de acabar nas bandas de cá Marido e eu fomos passar uma semana na casa nova dela, que ficava pertíssimo da praia. Sem contar todas as vezes que fomos ao Brasil e coincidiu dela também estar lá de férias. Enfim... amiga mesmo e das antigas.

Dessa vez a passagem dela por Lisboa foi rápida, de apenas um dia. É que a Mari, assim como outros tantos brasileiros que vivem na Europa, resvolveu voltar para o Brasil de navio. Olha que achado: a passagem é mais barata que a de avião, inclui todas as refeições (menos bebida alcoolica) e – o melhor – o limite de bagagem é de 90 quilos por pessoa. Quem já viveu fora sabe o martírio que é fazer caber tudo na mala.

A única questão é o tempo... a viagem toda leva uns 12 dias. A dela saiu de Barcelona, com escala em Cádiz, Lisboa, Tenerife, Salvador, Rio de Janeiro e Santos. Outro porém é o ticket, que é só de ida, uma vez que esses navios são os mesmos que passarão o verão circulando pela costa brasileira. Ainda assim, um achado. Fica a dica ;-)

17 dezembro, 2010

Quanta gentileza!

A amiga de um amigo passará por Lisboa agora no fim de ano e me perguntou se eu sabia de algum restaurante onde passar a ceia de Natal. Este será o primeiro Natal que Marido e eu passaremos por aqui, então tentei me informar.

Liguei para alguns restaurantes típicos e nada. Ao que tudo indica, só em alguns hotéis haverá uma programação especial para a noite do dia 24 de dezembro, mas o que me motivou a vir aqui escrever foi a “simpatia” de uma das senhoras que me atendeu. A conversa foi assim:

Eu: Boa tarde, gostaria de saber se por um acaso vocês estarão abertos no dia 24.

Ela: Não. Toda a gente tem família.

E desligou.

Detalhe: esse é um dos restaurantes de fado mais típico da cidade.

Ainda bem que abstrair e não levar essas gentilezas a peito foi uma das primeiras lições que aprendi ao chegar por aqui.

16 dezembro, 2010

Cenas do cotidiano

Por alguma razão que eu desconheço, a iluminação de certas ruas do meu bairro, incluindo a minha, não tem funcionado muito bem nas últimas semanas. Daí vocês não imaginam qual é o maior perigo que há em andar por essas ruas completamente escuras.

Eu conto: pisar em cocô [que aqui eles falam cocó] de cachorro.

As calçadas parecem campo minado. É nojento. Há a tal lei que obriga os donos a recolherem os dejetos dos seus bichos, mas quem fiscaliza? Então o jeito é criar uma profissão, a de moto-coco-boy.

Eu estava com Marido no final da minha rua quando vi um rapaz como o da foto pela primeira vez. Juro: eu paralizei e a única coisa que passava pela minha cabeça era: “que trabalho de M&#d@!”.

15 dezembro, 2010

Revendo conceitos

Você se dá conta de que mudou alguma coisa nos seus valores quando, ao se deparar com uma linda manhã de sol – depois de dias com chuva ininterrupta –, a sua primeira reação é querer aproveitar para lavar roupa.

03 dezembro, 2010

Credibilidade zero

Colega: Então, o que vais fazer hoje?
Eu: Estudar.
Colega: Xiça*! Isso é o que dizes aos teus pais!

* É uma expressão/ gíria que pode ser usada no lugar de "caramba" ou qualquer outro palavrão leve pertinente na frase.

26 novembro, 2010

Sintomas de saudade

Eu passei a semana inteira inquieta, super esquisita mesmo, umas vontades de chorar do nada, desânimo, sem concentração para nada e invertendo completamente a ordem de prioridade das coisas que eu tenho para fazer.

Primeiro achei que eram sintomas daquela depressãozinha que rola no inverno. Brasileiro que já viveu no Hemisfério Norte nessa época do ano sabe do que eu estou falando... não é uma depressããããão, é aquela vontade ficar em casa, conviver menos com outras pessoas, escolher alguns seriados para chamar de preferidos ou então hibernar até ficar quente de novo.

Depois cogitei culpar a TPM, mas o seguinte é: quando ela é a vilã, um chocolate resolve. Só que nesse caso nem mesmo uma caixa de Bis e um pacote de Ouro Branco – os meus preferidos – vindos diretamente do Brasil fizeram efeito.

Foi então que ontem – no auge da vontade de chorar sem motivo e sem foco para absolutamente nada – eu resolvi sair e andar sem rumo. Nada de me encher de comida ou comprar algo por impulso. Fui tomar vento na cara mesmo, deixar os pensamentos e os sentimentos fluirem e então tudo ficou claro: BAITA SAUDADE!!!!

Acho até que a expressão em inglês – homesick – faz mais sentido, porque eu estava quase adoecendo mesmo. A combinação frio + clima natalino + distância é igual a coração destroçado. Daí o remédio é respirar fundo, incorporar o espírito da Pollyanna, olhar para o copo meio cheio, lembrar que a escolha de estar longe foi minha e enquanto o esforço estiver valendo à pena, o Skype ajuda a diminuir a distância.

"Família, família come junto todo dia, nunca perde essa mania"

25 novembro, 2010

Sobre o direito de se manifestar

Ontem, dia 24 de novembro, foi dia de greve geral em Portugal, que juntou profissionais de todas as categorias – sobretudo saúde, educação e transporte – para protestar contra as medidas anunciadas pelo governo para conter a crise financeira que o país enfrenta. Para vocês entenderem, o governo anunciou que em 2011 vai reduzir os salários dos funcionários públicos que recebem mais de 1500 euros, vai aumentar os impostos e cortar um sem número de subsídios – desde os que farão muita falta até aqueles que já tinha passado da hora de serem suspensos.

A greve mobilizou principalmente os funcionários públicos, mas teve muito empregado privado que também aderiu à causa, afinal aumento nos impostos mexe no bolso de todo mundo. No final do dia houve um show no centro de Lisboa com artistas solidários aos manifestantes.

No começo eu não estava colocando uma fé que a greve seria levada a cabo, mas no fim, devo dizer que tiro o chapéu para o evento como um todo. A greve foi convocada há tempos, pouco a pouco grupos trabalhistas anunciaram a adesão, havia panfletos e cartazes por toda a cidade. Quando chegou o “grande dia”, lá estava: metro fechado – adesão 100% –, todos os voos de e para Portugal cancelados, muitas escolas fechadas, os ônibus circulando em quantidade bem reduzida, hospitais abertos só para emergências e a população de um modo geral SOLIDÁRIA.

Eu, que não via sentido algum em fazer greve de apenas um dia, terminei o dia com a opinião totalmente contrária. Sério, achei a greve o máximo. Tudo ORGANIZADO, sem algazarras, quebra-quebra ou violência e ainda com comemoração no final.

Pode ter sido “para a televisão ver”?
Pode.

Vai fazer o governo cancelar todas as medidas anunciadas?
Não sei, pouco provável...

Mas o recado foi dado: as pessoas tem poder e, com força de vontade e disposição, conseguem se unir para reivindicar os seus direitos.

“A cantiga só é arma se a luta acompanhar”


Observação: Que fique claro que eu não sou cientista política, economista, ligada a qualquer partido político ou o que seja. Apenas escrevo o que penso com base no que leio e vejo por aí.

24 novembro, 2010

Retrato quase diário

É mais ou menos assim, toda segunda, quarta e sexta:

O despertador do celular toca às 7h20
Aciono o modo “soneca” e ele volta a tocar às 7h30
O primeiro pensamento: “hoje não”
Que vem seguido do “estarei jogando dinheiro no lixo”
Me pergunto de quem foi a ideia
Lembro que foi minha
Cogito mudar de turma
Lembro que os colegas são legais
E o professor é o melhor que já tive
Levanto
Piloto-automático total
Não por acaso, a mala foi arrumada na noite anterior
Mais ou menos 7h45 saimos de casa, Marido e eu
Caminhamos até o clube
Que fica do outro lado da rua
De novo: não por acaso
8h alongamento para aquecer
8h05 entro na piscina
A água sempre está menos quente do que eu gostaria
Enfim acordo ao nadar os primeiros 50 metros
8h45 a aula acaba
O coração está disparado
Cinco minutos de alongamento
Mais ou menos às 9h30 volto para casa
Respiração ainda ofegante (oi, eu tenho asma)
Pernas um pouco bambas
Braços meio pesados
Tomo café da manhã
E o dia começa com uma certeza:
Escolher a turma das 8h da manhã foi a melhor decisão de sempre.

23 novembro, 2010

Época das castanhas

Dias atrás – 11 de novembro – foi dia de São Martinho, data na qual se realiza o magusto, uma festa popular onde amigos se juntam para fazer fogueira, assar castanhas e beber água-pé ou jeropiga (vinhos novos, um pouco aguado).

Conta a lenda que num dia muito chuvoso São Martinho passou por um mendigo nu e, não tendo nada para lhe oferecer, cortou um pedaço da sua própria capa. No momento em que o santo entregou o pano ao homem, a chuva parou imediatamente. Daí que em Portugal é normal se dizer que em novembro acontece o Verão de S. Martinho, uma subida de temperatura – que transita na casa dos 20, 23 graus em pleno outono.

O magusto marca o início do frio e, para mim, não tem símbolo maior de que o verão acabou mesmo do que ver castanheiros nas ruas (tipo carrinho de pipoca em Sampa, sabem?). Eles só aparecem quando esfria. Uma fumaça se espalha, como se fosse neblina, e um cheiro bem específico toma conta do ar. Cheiro de castanhas quentinhas, para comer enquanto se espera pelo autocarro, no metro ou assim que se chega em casa.

A Jú e eu, no magusto do ano passado na casa do João