Colega: Então, o que vais fazer hoje?
Eu: Estudar.
Colega: Xiça*! Isso é o que dizes aos teus pais!
* É uma expressão/ gíria que pode ser usada no lugar de "caramba" ou qualquer outro palavrão leve pertinente na frase.
Colega: Então, o que vais fazer hoje?
Eu: Estudar.
Colega: Xiça*! Isso é o que dizes aos teus pais!
* É uma expressão/ gíria que pode ser usada no lugar de "caramba" ou qualquer outro palavrão leve pertinente na frase.
Primeiro achei que eram sintomas daquela depressãozinha que rola no inverno. Brasileiro que já viveu no Hemisfério Norte nessa época do ano sabe do que eu estou falando... não é uma depressããããão, é aquela vontade ficar em casa, conviver menos com outras pessoas, escolher alguns seriados para chamar de preferidos ou então hibernar até ficar quente de novo.
Depois cogitei culpar a TPM, mas o seguinte é: quando ela é a vilã, um chocolate resolve. Só que nesse caso nem mesmo uma caixa de Bis e um pacote de Ouro Branco – os meus preferidos – vindos diretamente do Brasil fizeram efeito.
Foi então que ontem – no auge da vontade de chorar sem motivo e sem foco para absolutamente nada – eu resolvi sair e andar sem rumo. Nada de me encher de comida ou comprar algo por impulso. Fui tomar vento na cara mesmo, deixar os pensamentos e os sentimentos fluirem e então tudo ficou claro: BAITA SAUDADE!!!!
Acho até que a expressão em inglês – homesick – faz mais sentido, porque eu estava quase adoecendo mesmo. A combinação frio + clima natalino + distância é igual a coração destroçado. Daí o remédio é respirar fundo, incorporar o espírito da Pollyanna, olhar para o copo meio cheio, lembrar que a escolha de estar longe foi minha e enquanto o esforço estiver valendo à pena, o Skype ajuda a diminuir a distância.
"Família, família come junto todo dia, nunca perde essa mania"
Conta a lenda que num dia muito chuvoso São Martinho passou por um mendigo nu e, não tendo nada para lhe oferecer, cortou um pedaço da sua própria capa. No momento em que o santo entregou o pano ao homem, a chuva parou imediatamente. Daí que em Portugal é normal se dizer que em novembro acontece o Verão de S. Martinho, uma subida de temperatura – que transita na casa dos 20, 23 graus em pleno outono.
O magusto marca o início do frio e, para mim, não tem símbolo maior de que o verão acabou mesmo do que ver castanheiros nas ruas (tipo carrinho de pipoca em Sampa, sabem?). Eles só aparecem quando esfria. Uma fumaça se espalha, como se fosse neblina, e um cheiro bem específico toma conta do ar. Cheiro de castanhas quentinhas, para comer enquanto se espera pelo autocarro, no metro ou assim que se chega em casa.
Acontece entre hoje e amanhã em Lisboa a Cimeira da Nato ou, em brasileiro, a Cúpula da Otan, onde presidentes e representantes de quase 30 países vão discutir os próximos passos das ações da Otan. Em tese, o evento ocorrerá na região do Parque das Nações. Na prática, a cidade inteira está em estado de sítio. Desde ontem o trânsito de algumas ruas foi condicionado, o tráfego aéreo diminuiu e empresas que puderam, deram tolerância – aka dia de folga – aos seus funcionários.
Os veículos de comunicação deram bem o recado. Foi tanto alarde a semana inteira sobre as froteiras com a Espanha fechadas, a maior fiscalização nos aeroportos, os suspeitos que não conseguiram entrar no país e o aumento do efetivo policial para manter a ordem que resultou em uma coisa: Lisboa está vazia.
É claro que há algumas manifestações contra a cimeira agendadas, principalmente para a tarde de sábado, mas só aquelas que – pasmem – foram autorizadas pela Câmara Municipal previamente. Detalhe: todas a quilômetros de distância do Parque das Nações.
Fico com a impressão de que é tudo um circo, uma grande encenação. Portugal deixa a crise financeira que está atravessando completamente de lado e faz com que as suas pessoas não saiam de casa. Assim fica bem na fita e aparece nas notícias como um grande anfitrião.
Sabe aquele ditado que diz “fulano come sardinha e arrota caviar”? Então...