22 novembro, 2010

Para começar a semana doce!

Quando alguém diz que algo é o melhor do mundo, a gente desconfia, não é mesmo? À primeira vista, uma loja que se auto-denomina "o melhor bolo de chocolate do mundo" parece um bocado pretensioso... mas posso falar? O bolo deles faz jus ao nome que tem. Sério. É muito bom. Completamente diferente do floresta negra ou bolo de brigadeiro que estamos acostumados, está mais para uma mistura de torta com mousse em várias camadas que derrete na boca. Sensacional.
Se passou pela sua cabeça "puxa, agora terei que ir até Lisboa para provar" olha que engraçado: apesar de ser uma marca portuguesa, com apenas uma loja pequenina com duas mesas e quatro cadeiras no bairro Campo de Ourique, a marca já está na Espanha, Estados Unidos e - onde? onde? - Brasil (leia-se São Paulo, Rio e Brasília, que eu lembro...)! É isso mesmo. Tem muito mais lojas fora do que dentro de Portugal.

Agora, a minha experiência. Comi o bolo pela primeira vez no ano passado, durante no Festival de Chocolate de Óbidos - uma cidade medieval a uns 100 km de Lisboa. Só bem depois descobri que o bolo tinha uma loja e tudo, em Lisboa. Corri para lá.

Primeiro quase não encontrei, porque é mesmo pequena. Uma portinha e mais nada. Segundo fiquei inconformada, afinal, para o melhor bolo de chocolate do mundo fazia sentido um lugar com mais espaço, então me redimi: em meia hora que fiquei lá dentro, saboreando a minha fatia, perdi a conta de quantas pessoas entraram e saíram com um bolo inteiro. E não é pronta-entrega não, as encomendas tem que ser feitas com pelo menos uma semana de antecedência.

Quem provar - onde quer que seja - depois me diga se não está entre os melhores do mundo.
http://www.omelhorbolodechocolatedomundo.com/

19 novembro, 2010

Lisboa sitiada

Acontece entre hoje e amanhã em Lisboa a Cimeira da Nato ou, em brasileiro, a Cúpula da Otan, onde presidentes e representantes de quase 30 países vão discutir os próximos passos das ações da Otan. Em tese, o evento ocorrerá na região do Parque das Nações. Na prática, a cidade inteira está em estado de sítio. Desde ontem o trânsito de algumas ruas foi condicionado, o tráfego aéreo diminuiu e empresas que puderam, deram tolerância – aka dia de folga – aos seus funcionários.

Os veículos de comunicação deram bem o recado. Foi tanto alarde a semana inteira sobre as froteiras com a Espanha fechadas, a maior fiscalização nos aeroportos, os suspeitos que não conseguiram entrar no país e o aumento do efetivo policial para manter a ordem que resultou em uma coisa: Lisboa está vazia.

É claro que há algumas manifestações contra a cimeira agendadas, principalmente para a tarde de sábado, mas só aquelas que – pasmem – foram autorizadas pela Câmara Municipal previamente. Detalhe: todas a quilômetros de distância do Parque das Nações.

Fico com a impressão de que é tudo um circo, uma grande encenação. Portugal deixa a crise financeira que está atravessando completamente de lado e faz com que as suas pessoas não saiam de casa. Assim fica bem na fita e aparece nas notícias como um grande anfitrião.

Sabe aquele ditado que diz “fulano come sardinha e arrota caviar”? Então...

02 novembro, 2010

As maravilhas de Portugal

Tem texto novo meu como correspondente publicado no portal DestaqueSP. Dessa vez escrevi sobre os monumentos e as paisagens escolhidas pelos portugueses como as suas maravilhas e fiz uma feliz constatação: das 7 Maravilhas (os monumentos) eleitas, já visitei seis, e das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, já estive em duas.

Dos monumentos, os que eu acho mais bonitos são os mosteiros de Jerônimos e da Batalha. Alcobaça eu acho um charme, a cidade toda, assim como Óbidos. Belém é visita obrigatória com todas as visitas que passam aqui em casa, então nem conta... :) Só falta desbravar Guimarães e as maravilhas naturais, que por enquanto eu só conheço o Portinho da Arrábida e as Grutas de Mira d'Aire.

Para ler e viajar um pouco por Portugal, cliquem aqui.

29 outubro, 2010

Referencial

Tudo nessa vida é uma questão de ponto de vista. Eu não tenho dúvidas.

Por exemplo: em março, em Lisboa, quando faz o primeiro dia com 18 graus do ano, significa que está esquentando, que só mais três meses e o verão nos fará companhia outra vez.

Agora, os mesmos 18 graus, acompanhados daquele típico vento fresco lisboeta em outubro só quer dizer uma coisa: é hora de desempacotar botas, casacos, cachecóis e se preparar, pois o frio está chegando e não vai embora tão cedo.

Mas é assim, estar em Portugal nessa época é uma vantagem e tanto, em termos europeus. Explico: amigos que vivem em Londres, desde setembro já convivem com temperaturas de apenas um dígito. Em Estocolmo, uma outra amiga festejou a primeira neve do ano na semana passada. Enquanto em Lisboa... bem... em Lisboa, temos esse céu lindo, quase todos os dias :)

Eu e a Cau no Parque das Nações, com a ponte Vasco da Gama,
o teleférico e o Tejo compondo o cenário.

28 outubro, 2010

Quando a internet não ajuda

Eu estou fazendo um mestrado em Lisboa, comecei o segundo ano agora em setembro. E tirando as vezes que surge algum trabalho free lancer para fazer, alguma visita para eu ciceronear ou a casa para arrumar, eu estudo, mas ainda assim ando disléxica de um jeito que chego a me sentir mal.

É que na época da faculdade, nos idos entre 1998 e 2002, eu estudava, fazia estágio, fazia inglês duas vezes por semana, pegava pelo menos três horas de trânsito em transportes públicos todos os dias e ainda ia para balada com os amigos, ajudava nas tarefas de casa no fim de semana, lia muito mais e fazia um monte de outras coisas.

Comecei a por a culpa na idade, que realmente faz a gente diminuir um pouco o ritmo, mas depois, pensando melhor, me dei conta de que naquela época ainda não havia a avalanche de redes sociais que existe hoje em dia e que, definitivamente, eu gastava muito menos tempo na frente de um computador do que hoje em dia.

08 outubro, 2010

Voltei a nadar

Eu nunca cheguei a contar aqui a experiência que é fazer natação em Portugal. Aliás, acabei de fazer uma busca no blog e me dei conta de que estou sempre “voltando a nadar”, mas o primeiro relato MESMO das minhas trapalhadas na água está no meu antigo blog, que escrevia com o Marido, na época que ele ainda era Namorado :)

Antes de continuar só quero esclarecer que eu não sou nenhuma super nadadora não. Pelo contrário. Já me afoguei numa praia quando tinha 15 anos, com direito a salva-vidas e tudo. Desde então morro de medo de água.

Mas então, a experiência lusitana!

Quando nos mudamos para Lisboa, em 2008, Marido e eu ficamos sócios de um clube que tem perto da nossa casa com a intenção de conhecer pessoas e fazer exercícios. Eu já tinha nadado uns dois anos em Bernô City, já tinha até trocado a cor na minha touca (método utilizado pela academia para indicar o nível dos alunos). Lá a experiência era assim: uma piscina mediana, acho que de 30 metros, e um aluno por raia. Quando tínhamos que dividir a raia com alguém, era motivo de reclamação.

Em Portugal foi assim: eu disse que sabia nadar crawl, costas e estava aprendendo o peito quando deixei o Brasil, então o professor me indicou para a AMA (de amador mesmo) 3. Na primeira aula, passei por uma piscinona (50 metros) e fui encaminhada para uma piscininha de 25 metros que os professores carinhosamente chamam de “tanque”. Dei de cara com apenas três raias e um mooooooonte de gente dentro. Era assim: cada raia uma classe: AMA 1, 2 e 3. Na minha turma tinha nada menos que dez pessoas. D-E-Z! O professor dava as instruções e nós seguíamos, em fila indiana. Piada pronta, ne?

Conversei com todo mundo que eu conhecia aqui na época – que não era muita gente, diga-se... – e todos me disseram que em Portugal é assim que se faz natação. Aceitei e fiz o ano praticamente inteiro, de outubro/2008 a junho/2009, com algumas faltas no meio do caminho, mas firme e forte.

Julho, agosto e metade de setembro, como eu já contei aqui, o clube “encerra” para férias de verão.

Em 2009/2010 comecei a estudar e passei longe do clube. Daí quando as aulas do mestrado acabaram em junho, comecei a esperar pelo dia de hoje: a minha primeira aula de natação na piscinona, na turma APZ (de aprendizagem).

Minhas primeiras impressões: acho que perdi um pulmão no meio do caminho, não consegui ir e voltar a piscina inteira sem parar no meio nenhuma vez, eu me agarro ridiculamente na borda da piscina com medo de afundar, era oito horas da manhã e estava chovendo, mas sabe aquela sensação boa quando a gente termina algo que realmente gosta? Simplesmente não tem preço!

25 setembro, 2010

Olha eu no jornal

Essa semana foi publicada uma matéria minha sobre gastronomia portuguesa no portal DestaqueSP. Minha primeira contribuição para eles como correspondente. O plano é publicar um texto por mês.

Quer ler? Clica aqui :)

24 setembro, 2010

O golpe do anúncio de emprego

Dias atrás eu mandei meu currículo para uma vaga de Relações Públicas. Não dizia muita coisa: empresa pequena, em expansão procura jovens dinâmicos. Basicão.

Na entrevista o cara - um americano - disse que era uma empresa de promoção de marketing e que, caso contratada, antes de integrar a equipe de planejamento e estratégia teria que passar pela equipe de B2B e B2C. Até aí tudo bem. Pelos clientes que ele citou, pareceu interessante.

No mesmo dia recebi uma ligação informando que tinha sido selecionada para a fase seguinte, a de conhecer a forma de trabalho da empresa. Me aconselharam a ir casual, "com tênis mesmo", porque iria passar o dia a andar.

Bem... comecei a pensar que o tal do business to business e business to consumer que ele tinha dito estava mais para quiosques de demonstração de produtos em supermercados. Mas como é tão difícil ser chamada para uma entrevista de emprego aqui em Lisboa, deixei o meu lado Pollyanna falar mais alto e pensei que não custava nada conferir. Afinal, eu poderia estar errada.

E estava!

Depois de uma hora de espera, fui apresentada ao Bruno, um rapaz português com quem eu iria passar o dia e só voltaria para o escritório ao fim da tarde. A função dele: chefe de equipa de vendedores porta-a-porta de pacotes de internet por fibra óptica.

:/

31 agosto, 2010

Encerrado para férias


Essa foto é daquelas coisas que contando ninguém acredita: aqui em Portugal é supernormal os estalecimentos comerciais fecharem para férias em agosto, no auge do verão. No bolo entra restaurantes, cafés, lojas de roupas, produtos de beleza, coisas para o lar, bancas de jornal, tabacarias enfim... só não vi ainda agências de viagens fechadas nessa altura, porque o resto...!

Já contei que onde Marido e eu fazemos natação eles encerram entre julho e agosto e só retomam as atividades em setembro? Então, fecham.

No começo eu achava esquisito, chegava a ficar indignada. Afinal de contas, para quem vem de São Paulo, a cidade que praticamente não dorme, se mudar para um bairro cuja metade do comércio fecha no mês de férias é um tanto radical.

Mas agora, já com dois anos e meio de adaptação – e no terceiro verão europeu –, chego à conclusão de que o verão é para todos e que bom que nos dias de hoje – em tempos de crises e desempregos – ainda é possível parar um estabelecimento inteiro para que todos os funcionários desfrutem da estação e não apenas os patrões.

Mea culpa: Eu sei que ando muito ausente no blog, mas entendam: o verão aqui tem data para terminar e merece ser muito bem aproveitado :-)

Escrito a mão é clássico!

05 agosto, 2010

Expressões bem distintas

Uma coisa que eu adoro aqui é: mesmo nos canais de televisão abertos nada é dublado, tudo vai ao ar na língua original, com legendas. E eu adoro ler as legendas de filmes e seriados, são com elas que eu aprendo que:

Cool é fixe

Lots é bué

Então, se algo é “muito legal” ou “sinistro”, como dizem os cariocas, ele é “bué de fixe”.

Nice ou cute é giro ou gira

Colocando num contexto: se eu quero dizer que um rapaz/ garota é gatinho/a, devo falar que o “gajo é giro” ou a “rapariga é gira”. Gaja existe, mas é bem pejorativo, quase não se usa. Aliás! Outra: bitch é cabra. Vaca aqui é aquela que dá leite, só.

Oh man – o nosso “caramba” – é “ena pá”.

Have sex no sentido de “dar uma rapidinha” aqui é “dar uma queca”. Não perguntem... não faço ideia do porque. A questão é que aqui entramos num terreno perigoso. Explico: brasileiros comem moQUECA. Isso faz os portugueses rirem do mesmo jeito que brazucas, quando ensinam palavrão a algum gringo. Outro prato com conotação sexual é o nosso bobó. Sério. Não é legal.

Outra pegadinha é: quando alguém faz trabalhos informais, em Portugal, ela faz biscates. Falar que se “vive de bico” é quase a mesma coisa que dizer que se faz bobó para fora, todos os dias. De novo, não é legal.

Portanto, quando visitar Portugal, antes de ficar pensando nas piadinhas que fará com a bicha (fila) e os cacetinhos (pão), preste atenção para não se transformar NA piada.