12 janeiro, 2009

Retrospectiva


2008 foi um ano e tanto: teve grandes mudanças, festas, amigos por perto, família sempre presente e aqui eu faço uma pausa para dar um viva a toda tecnologia que, para a nossa felicidade, deixa o oceano Atlântico tão pequeno quanto uma piscina.

O ano também teve muito aprendizado, introspecção, possibilidades de conhecer pessoas e lugares fantásticos. Pode parecer loucura, mas Marido e eu só nos demos conta do quanto viajamos em 2008 quando paramos para contar as viagens que as nossas malas fizeram. Foram mais de dez, em sete paises diferentes. Algo totalmente fora dos nossos planos há um ano e meio atrás.

Como eu ouvi uma vez, “o inesperado é o que muda as nossas vidas”. Então que em 2009 a gente esteja tão aberto para o novo como estivemos no ano que passou e que, de novo, a gente possa compartilhar os nossos melhores momentos com os melhores amigos.

Assim seja!

23 dezembro, 2008

Falando em viagens...

Nossas malas estã prontas de novo!
Para quem passar por aqui, um ótimo natal e que 2009 venha com muito mais histórias legais para serem vividas e contadas!

Beijos, beijos,
Kelli

Vamos falar sobre Londres

O ano está quase no fim, já se passaram mais de dois meses e só agora eu finalmente parei para escrever sobre Londres, com a devida atenção que aquela cidade merece.

Antes de qualquer comentário: é a cidade é tudo nessa vida. Eu simplesmente amei Londres, os britânicos, a educação deles, o sotaque, as ruas, as casas, as opções culturais, as misturas culturais, o ar conservador de um país que ainda vive numa monarquia misturado com toda a modernidade que a globalização proporciona, enfim... um mês seria pouco para conhecer tudo o que a cidade oferece.

Como disse para o Marido, viveria lá fácil, mesmo com o clima frio e a fama de ser uma cidade cinza. Acho que por ser início do outono, pegamos apenas um dia com chuva e uns dois nublados, todos os outros foram de céu azul e sol. Nos disseram que foi sorte, pode ter sido presente de aniversário de São Pedro também, vai saber :-)

O fato é que com dias tão convidativos, trocamos os muitos museus por passeios pelas ruas e bairros, para conhecer o dia-a-dia de quem vive na cidade, coisa que nem sempre está nos guias de viagem... Pra começar, trocamos o hotel por um quarto na casa de um britânico. Além de [muito] mais barato, a gente conhece o estilo de vida deles, compartilha o mesmo banheiro, o chá e conversas bem agradáveis ao fim da noite, ou início da manhã.

Além do circuito Big Ben, Palácio de Buckingham, troca da guarda, Saint Paul, British Museum, caminhadas à margem do Tamisa e pelas suas pontes, visitamos o bairro dos punks, onde vive a Amy Winehouse, as ruas e os locais onde foram gravadas cenas de Bridget Jones, Closer, Um lugar chamado Notting Hill e vários outros filmes, passamos pela Chinatown e por um bairro árabe onde todos os bares oferecem narguile, a Oxford Street com as suas muitas lojas, também conhecemos as feiras de rua, onde os mesmos casacos da Oxford são vendidos sem etiquetas famosas a preço de banana, eu quase enlouqueci na Primark, uma loja com tudo muito barato, mas o que eu queria mesmo era comprar tudo o que tinha para vender na Marks & Spencer. Não, não fui a Harolds.

Fomos a Greenwich, o ponto zero mundial, o lugar que determina o horário de todos os lugares do mundo, conhecemos a noite londrina, os pubs, dos tradicionais aos mais modernos, Marido provou cervejas do mundo inteiro e eu me deliciei com a PIMM'S, o drink para mulher tradicional de lá, comemos fish and chips, o Sunday roast, que é um bife com molho e batatas, kebab, comida chinesa no meio da rua, Subway de madrugada e o que eles chamam de café da manhã, mas vem com feijão doce, ovos, batata, tomate, linguiça e um pedaço de pão e o chá britânico, claro.

A gente andou muito e com certeza ficou muito ainda por fazer. Para mim, Londres é daqueles lugares que por mais que a gente visite, nunca vai conhecer por completo. É dos lugares que são recordados com encanto, com aquela vontade de estar lá outra vez.

18 dezembro, 2008

Oportunidades únicas

Portugal tem umas coisas engraçadas. E aqui eu uso o adjetivo “engraçada” no sentido luso, de interessante. Como eu ia dizendo... há aqui o hábito de se abrir espaços históricos ou órgãos públicos para visitação apenas uma vez por ano. E o povo vai que vai.

A primeira vez que ouvimos essa conversa, se tratava de umas galerias do império romano que estão sob uma das ruas mais movimentadas da Cidade Baixa, o centro de Lisboa (sim, sim é a tradução ao pé da letra de downtown). A notícia saiu nos jornais gratuitos, no rádio e quando chegamos lá, não pudemos sequer entrar na fila, pois já havia mais gente à espera do que tempo disponível para as visitas guiadas. Ficou para o ano.

Daí seguimos para o prédio da Assembléia da República, que também estava aberto para o público naquele dia. Tempos depois Marido e eu passeávamos pelo centro quando vimos que acontecia algo em um dos prédios da Praça do Comércio (onde estão concentrados quase todos os ministérios de Portugal). Chegamos à porta e pimba, era o dia anual de visitas ao Ministério da Agricultura.

Eu acho a iniciativa bem bacana. Em cada um dos cômodos funcionários explicam sobre quem usava aquela sala antigamente, o que é feito lá agora, as mudanças que foram feitas, o que continua intacto etc, sem contar que os prédios em si são merecedores de uma visita pela arquitetura e riqueza de detalhes. E a gente sempre aprende um pouquinho mais sobre Portugal nesses passeios.

Na sexta-feira passada estava em casa quando ouvi no rádio que o Cais das Colunas tinha sido reaberto, mas voltará a ser fechado no início de janeiro, para obras no seu contorno. O Cais das Colunas nada mais é do que exatamente isso: um cais a beira do rio Tejo com duas colunas. Detalhe: fica bem no meio da Praça do Comércio, como se representasse a porta de entrada da cidade na época das grandes navegações, quando ainda não existia trem, metro e avião.

Marido aceitou a sugestão de passeio, então depois do seu expediente lá fomos nós – e um bocado de portugueses – apreciar a beleza do Tejo e o pôr-do-sol, saboreando castanhas portuguesas assadas. Havia também muitos turistas e esses nem sabem a sorte que tiveram, pois outro desse só para o ano.

12 dezembro, 2008

O outono

Aconteceu de novo... o fim de semana (passado) foi prolongado, cinzento e molhado. Com um porém: temperaturas amenas, na casa dos 15 graus.

No primeiro dia útil semana, a terça, o sol apareceu e a temperatura caiu.

É assim que é do lado de cá da linha do Equador: os dias ensolarados são os mais frios.

Aprendi isso há três anos, lá na Terra do Gelo. Teve um dia que eu sai de casa apenas de jaqueta, sem luvas, touca, cachecol e uma blusa extra. Tudo porque tinha visto um sol maravilhoso pela janela ao acordar, depois de muitos dias cinzas. Estava seis graus e eu não tinha como voltar para casa...

Quase congelei.

Quando contei o ocorrido à minha hostmother, ouvi essa frase pela primeira vez, dita com uma certa indignação... como eu não sabia que os dias bonitos são os mais gelados?

De onde eu venho sol é sinônimo de calor, sabe.

Agora que eu sei isso tudo e visto as roupas certas, descobri o prazer que é sentir só a ponta do nariz gelada, de parar onde está batendo o sol e ficar ali por alguns segundos, sentir a brisa gélida no rosto enquanto caminho. Eu acho as cores do outono bonitas, as árvores em seus tons alaranjados, as folhas caídas, as pessoas em seus casacos e botas.

Os dias de sol me deixam especilamente feliz.

02 dezembro, 2008

Lá vem o sol

Hoje é o dia internacional de aproveitar o sol. Explico: o outono aqui tem sido uma maravilha, dias de céu azul, com sol, um ventinho gelado e temperaturas entre 10 e 17 graus. Até quinta estava assim. Aí na sexta-feira – o primeiro dia de um feriado prolongado – o tempo mudou completamente e como é comum entre os mortais, choveu o feriado inteiro.

Hoje, o primeiro dia útil da semana, o céu está lindo, com um sol que nos convida a dar uma voltinha pela rua ou a trazer o computador para perto da janela, no meu caso :-) Assim como eu, os vizinhos estão aproveitando para lavar roupas, abrir as janelas e deixar um pouco de ar fresco revitalizar a casa, pois para amanhã – e o restante da semana – a metereologia prevê mais dias fechados, com “aguaceiros”.

E tudo isso só porque o fim de semana será prolongado de novo? Não pode ser... não deveria ser.

27 novembro, 2008

Crendices

Cada um tem a sua. A pessoa pode não admitir ou guardar só para si, mas que ela tem pelo menos uma crença em algo um tanto sem muito sentido (para os outros!), tem.

Eu tenho uma grande dificuldade em falar sobre projetos (meus, claro) que ainda não estão concretizados. Eu não sei dizer exatamente o porquê, mas na minha cabeça se eu falar antes de realmente acontecer, pode não dar certo e nem vir a acontecer. Marido chama de crença limitadora. E realmente é, pois já me levou a conflitos internos torturantes.

Eu acredito que as pessoas geram energia, positiva e negativa. Às vezes pode ser um ato ou pensamento inconsciente, involuntário, mais forte que ela... A tal “inveja boa”, por exemplo. Isso não existe. Inveja é inveja. E gera uma carga energética bem negativa, independente da pessoa dizer que não é bem assim.

A minha própria crença gera uma energia negativa danada, mas a questão é que eu não gosto de dar explicações. Não sobre a minha vida. E se algum detalhe der errado e eu já tiver dito pro mundo inteiro, para cada pessoa que eu reencontrar vou ter que explicar isso e aquilo. Porque as pessoas realmente perguntam. (Eu sou uma e não fujo à regra).

Isso já me colocou em cada situação... quando fui para a Terra do Gelo mesmo meu visto só foi liberado horas antes do vôo e eu estava no maior conflito: fazer ou não fazer festa de despedida. Eram seis meses fora do Brasil, eu tinha pedido as contas do emprego e as passagens já estavam compradas. Eu realmente acreditava que viajaria, mas e se tivesse que adiar? Quando contei aos meus amigos, o “COMO ASSIM?” foi em coro. Poucas coisas me doeram tanto quanto aquilo. Eu tirei das minhas amigas a oportunidade de me ajudarem a fazer as malas, a gravar Cds com músicas brasileiras, a escolher qual livro levar e um monte de coisas. As pequenas coisas, aquelas que realmente importam.

Aí a ficha caiu. Claro que ninguém muda da água pro vinho da noite para o dia. Me abrir mais tem sido um processo constante. Às vezes eu tropeço, gaguejo, enrolo, mas conto, ainda que para poucos. E quando algo não corre como planejado, o abraço e as palavras de consolo vêm na sequência, sem que eu precise pedir.

24 novembro, 2008

Mas... mas... mas... eu só quis dizer...

Já faz um tempo que estou para escrever sobre as broncas que levo em qualquer lugar que vou. Bronca mesmo, daquelas que levamos da mãe quando fazemos alguma besteira. Aqui, não é preciso fazer besteira. Não é preciso sequer falar na verdade. Basta existir e estar bem em frente a um português mais carrancudo.

O mais típico é o graçom. Alguns nos encaminham para a mesa de um modo bem direto: “Se quer se sentar, tem que ser nessa mesa, naquela não pode”. E ponto. O mesmo tipo de tratamento também pode acontecer quando pedimos algo que ESTÁ no cardápio, mas por alguma razão NÃO HÁ disponível naquele dia. Agora aprendi a pedir pelo que está na lista de “pratos do dia”. É atualizada diariamente e sempre tem ao menos duas opções de peixe e outras duas de carne, além da quase certeza de que há.

Outro tipo de bronca vem de atendentes de um modo geral (de lojas, supermercado, dos correios, do banco etc). Pode ser porque ela não tem troco, ou porque você pediu para trocar uma nota de 20 euros, porque o que você quer toma um pouco mais de tempo, porque você pediu inforamções sobre um produto ou mesmo porque você simplesmente entrou na loja.

Agora os campeões são os idosos (e eles que são muitos!). Com esses não tem conversa. São curtos e crossos. No começo achava que era pessoal, que eu realmente fazia algo de errado. Agora abstraio completamente. É esquisito, mas esse realmente é o jeito deles.

Um amigo do Marido descreveu um restaurante da seguinte forma: “É uma típica cervejaria portuguesa, onde os conhecidos são bem tratados e os estranhos postos para correr”. Detalhe: ele é português, tá. E falou isso sorrindo. Enfim, é realmente o jeito de ser de alguns portugas.

Bem, mas verdade seja dita, toda história tem duas versões, certo? A outra metade dos garçons com que nos deparamos adora fazer piadas, está preocupada se estamos gostando de tudo, sugere o melhor prato e ainda explica a diferença entre bacalhau a brás, a broa, a gomes de sá, a zé do pipo e com natas. Os atendentes conhecem os produtos que vendem com riqueza de detalhes e os velhinhos – os perdidos entre os resmungões – são simpatissíssimos. Não são muito de conversa, é verdade, mas até sorriem. E sempre têm comentários fofos na ponta da língua.

20 novembro, 2008

Os primeiros 300

Marido e eu completamos dez meses de casados. Essa nossa conta é um tanto torta, como eu já expliquei aqui. Mas a verdade é que tem sido dez deleciosos meses, de altos e baixos, de cumplicidade e aprendizado. E também de muito, muito amor e confiança.

O que me deixa mais feliz é que são só os primeiros 300 dias do resto de nossas vidas.

07 novembro, 2008

Sei lá, mil coisas

Ando sem muita inspiração para escrever ultimamente... Daí recebi o texto abaixo essa semana e pensei que ele tem a ver com o momento.

Porque, de repente, eu abri os olhos e me dei conta que já se passaram seis meses que estou a viver na Europa. E já deu tempo de colocar as "coisas" no lugar, "interiormente" falando.

E se a gente não "acorda", quando vê, já passou...

Grande Quintana.

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa

Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais".